Vídeo inédito mostra mágico indiano pedindo socorro antes de se afogar

Ilusionista indiano morreu afogado após saltar acorrentado em rio para fazer truque de escapismo. Mudança de lua pode ter sido um dos motivos da tragédia.
Vídeo inédito mostra mpagico pedindo ajuda antes de se afogar. (Foto: reprodução/TV Globo)
Tube News, via Fantástico e TV Globo
24/06/2019  07h39m
Meio-dia do domingo passado. O rio é o Hoogly, que corta a metrópole de Calcutá. O mágico, de 41 anos, se chama Mandrake, uma homenagem ao famoso mago das histórias em quadrinhos. Com seu visual psicodélico, o Mandrake indiano explica:

"Se eu escapar, vai ser mágico. Se eu não conseguir, vai se trágico."


Assista abaixo:


Em 2013, Mandrake teve problemas nesse mesmo rio. Afundou na água dentro de uma gaiola. Logo escapou. Mas o truque, uma portinhola traseira não muito bem disfarçada, ficou evidente demais. Quando saiu da água, Mandrake tomou uma dura da multidão que assistia.

O canal de Mandrake na internet mostra que ele era um mágico das ruas de Calcutá, a quinta maior cidade da índia, com quase cinco milhões de habitantes. Domingo passado, Mandrake estava confiante que tudo correria bem. A bordo de um barco, já dentro do rio Hoogly, os ajudantes ajustaram com força as correntes. Cordas amarraram os pés e as mãos. Um guindaste, instalado na ponte logo acima, puxou o mágico, para depois colocá-lo no rio.

Com a correnteza forte do rio em Calcutá, a mágica do Mandrake da Índia se transformou em emergência. Alguns minutos embaixo d'água, preso com cadeados, cordas e correntes e nada de aparecer na superfície. Não tinha mergulhadores nem barco de resgate de prontidão, porque, segundo a capitania dos portos, Mandrake começou a mágica uma hora e meia antes do previsto, e também não tinha explicado direito para as autoridades o que ia fazer. A equipe de Mandrake começou a pedir ajuda, e só depois de 15 minutos do sumiço a polícia foi acionada.


Para entender o que aconteceu, o repórter Álvaro Pereira Junior conversou com dois assistentes do mágico, que estavam no barco com ele: Rudra, que é sobrinho dele, e Sudipto, que é filho de um amigo.

Fantástico: “O que aconteceu?”

Assistentes: "O Mandrake estava em ótima forma, nadava muito bem, e havia muitos anos que fazia essa mágica. Ele estava bem confiante. Demorou muito tempo para gente conseguir com as autoridades as permissões para fazer a mágica. Quando a papelada finalmente saiu, já era época de lua cheia, e isso mexe com as marés. O rio sobe de nível e a correnteza fica mais forte."

O Fantástico falou por e-mail com Abhra Chanda, professor de oceanografia de Calcutá, que há dez anos estuda os rios da região. Segundo o cientistas, na lua cheia e na lua nova, as correntes do rio Hoogly ganham mesmo uma força tremenda, e que afogamentos são comuns.

O professor explicou que, apesar de Calcutá ficar a mais de cem quilômetros do mar, o estuário gigantesco, afunilado, faz com que as mudanças de marés do oceano influenciem muito no nível e na correnteza do rio Hoogly.

"Aí, o Mandrake pensou: 'se a gente adiar por causa da maré, vai demorar mais um tempão pra autorizarem de novo. Já fiz esse truque outra vezes, eu vou assim mesmo.' ", explicaram os assistentes ao Fantástico.

Foi um erro fatal. Em vídeo inédito cedido pelos assistentes do mágico dá para ver que, dezenove segundos depois de submergir, Mandrake chegou a soltar as mãos, fez gestos de socorro mas foi levado pela correnteza.

"O corpo foi encontrado 30 horas depois, a um quilômetro do ponto onde ele afundou para fazer a mágica”, explicou um dos ajudantes.

O grande mestre do escapismo foi o mágico húngaro-americano Harry Houdini, que fazia truques de risco máximo entre o final do século 19 e o começo do século 20, inclusive embaixo d'água. Os escapistas de hoje se inspiram nele.

O mágico Kronnus, que já apresentou vários quadros no Fantástico, analisou com seus olhos treinados as imagens da Índia:

“A parte aberta do gancho está virada no mesmo sentido da correnteza. Para ele ficar preso mesmo, o gancho teria que ficar na posição contrária. Assim a correnteza forçaria contra o gancho e ele ficaria preso. Não existe a necessidade de correr um risco de verdade. A gente pode criar a ilusão, dramatizar o perigo, sem arriscar a nossa vida”, disse.

Em Calcutá, os assistentes do mágico Mandrake pediram pra deixar uma mensagem.

"A gente queria dizer para todos os mágicos, não só da índia, mas do mundo, que treinem, treinem, e treinem. Não ignorem os riscos, porque vocês têm uma família esperando por vocês. Respeitem o valor que a vida tem."

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