Damares diz que, na 'concepção cristã', mulher deve ser 'submissa'

Para ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos submissão é uma 'questão de fé'. Ela disse, porém, que visão cristã não a faz 'menos capaz' de comandar o ministério.
A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, durante audiência na Câmara — Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Tube News, via G1 (Reportagem de Luiz Felipe Barbiéri)
16/04/2019  17h26m
A ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, disse nesta terça-feira (16) que dentro da sua “concepção cristã” a mulher deve ser submissa ao homem no casamento.

Damares deu a declaração durante audiência pública na Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres na Câmara.

Ela foi questionada pela deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) sobre se a mulher deveria ser submissa ao homem. Damares então afirmou que, dentro da doutrina cristã, o homem é o líder do casamento.

“Dentro da doutrina cristã, sim. Dentro da doutrina crista, lá dentro da igreja, nós entendemos que um casamento entre homem e mulher, o homem é o líder do casamento. Então essa é uma percepção lá dentro da minha igreja, dentro da minha fé”, declarou Damares.

A ministra disse que isso não significa que todas as mulheres devem ser submissas e “abaixar a cabeça para o patrão, para o agressor e para os homens que estão aí”.

“Mas dentro da minha concepção cristã, a mulher, sim, no casamento é submissa ao homem e isso é uma questão de fé", disse a ministra.

"Isso não me faz menos capaz de dirigir este ministério. Não me faz mais incompetente. É uma questão de fé lá dentro do meu segmento”, complementou.

Posse de armasDurante os debates na comissão, a ministra foi perguntada também sobre a possibilidade de se aumentar o número de feminicídios com o decreto de Jair Bolsonaro que flexibilizou a posse de armas.

A ministra tergiversou e não respondeu. Damares afirmou que gostaria de deixar suas “intenções pessoais sobre desarmamento para um segundo momento”.

“O que nós podemos fazer é um debate bem técnico. sobre o impacto disso na violência contra a mulher. Não dá para dizer ainda se impactou. É tudo uma expectativa de que pode aumentar. Mas o homem mata com dentes, com mão, com pau. A violência contra a mulher se configura de diversas formas”, disse a ministra.

AbortoA ministra reforçou sua posição contrária ao aborto, mas afirmou que sua posição não vai nortear as políticas do ministério.

“Tenho tantas coisas para fazer naquele mistério que o tema aborto eu não vou fazer essa discussão. É discussão do Parlamento e agora do Judiciário”, afirmou.

Para Damares, um país sem estupro levaria à queda no número de abortos.

“Quero um Brasil sem estupro, porque se não tivermos estupro, não vamos ter mulher lá no serviço de saúde pedindo para fazer o aborto”, disse.

Audiência públicaEm sua fala inicial, Damares apresentou slides com a estrutura do ministério, organograma, listou as secretarias e as funções de cada uma.

Disse que o ministério trabalha no aperfeiçoamento do ligue 180. A ministra afirmou que o atendimento é pequeno e o retorno menor ainda.

“Precisamos melhorar esse canal. Ele ainda é um ligue 180. Como o disque 100 ainda é um disque 100. Estamos tentando trabalhar com uma tecnologia mais avançada. Porque não o WhatsApp? Por que não um telefone diferente? Por que não usar as redes sociais?’’, afirmou.

Segundo a ministra, a Avon procurou o ministério e vai capacitar suas vendedoras para identificar sinais de agressão em mulheres quando estiverem vendendo seus produtos, dentro do programa “Salve uma Mulher”, lançado pela pasta.

A ministra também se queixou da falta de dinheiro da pasta e pediu ajuda das deputadas.

“Temos muitos desafios? Temos. Temos pouco dinheiro? Temos pouquíssimos dinheiro. O Orçamento está chegando na Casa. Contamos com a parceria das parlamentares”.

A ministra afirmou ainda que é preciso buscar as mulheres que as políticas públicas não alcançaram, e citou as mulheres indígenas e as ciganas

“Precisamos alcançar as mulheres ciganas. Essas mulheres existem. Essas mulheres quando entram no shopping no Brasil os seguranças vão tudo atrás. Só por que tem a saia mais colorida do que a da minha filha”, declarou.

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