Brumadinho: investigados por desastre entregam passaportes

De acordo com a Polícia Civil, medida foi recomendada pela força-tarefa que apura rompimento da barragem. Funcionários são da Vale e da alemã TÜV SÜD.
Aeronave durante resgate em Brumadinho — Foto: Globo
Tube News, via G1
26/03/2019  18h55m
Os 13 funcionários da Vale e da empresa alemã TÜV SÜD investigados pelo rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, entregaram seus passaportes às autoridades de Minas Gerais. A medida, de acordo com a Polícia Civil, foi recomendada pela força-tarefa que apura o desastre.

O delegado Bruno Tasca informou, nesta terça-feira (25), que os 11 funcionários da mineradora entregaram os documentos no Departamento Estadual de Investigações de Crimes contra o Meio Ambiente (Dema), na Região Centro-Sul da capital, na quinta-feira (21).

Ainda segundo Tasca, os dois engenheiros da TÜV SÜD - empresa responsável por laudos de estabilidade da barragem - deixaram os passaportes com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A Polícia Civil disse que eles fizeram isso na sexta-feira (22).

Em nota, a TÜV SÜD informou que "não está comentando sobre as investigações, mas reitera que, imediatamente após o rompimento da barragem, iniciou uma investigação independente sobre o caso e ofereceu sua total cooperação às autoridades para o esclarecimento das circunstâncias do colapso da estrutura". O G1 procurou a Vale e aguarda a posição da empresa.

No dia 25 de janeiro, a Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão se rompeu, deixando dezenas de vítimas. Até a publicação desta reportagem, a Defesa Civil de Minas Gerais confirmava 214 corpos identificados e 91 pessoas ainda desaparecidas. A avalanche também deixou cerca de 80 pessoas desabrigadas.

Investigações
Nesta segunda-feira (24), durante o primeiro dia de depoimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Bruno Tasca afirmou que o inquérito criminal já permite apontar a hipótese de homicídio com dolo eventual – quando se assume o rico de cometer o crime.

“Agora resta apontar a participação de cada funcionário nesse evento que aconteceu, e está sendo feito”, disse o delegado na ocasião.

Quem são os investigados 

 - Alexandre de Paula Campanha - Gerente-executivo da geotecnia corporativa da Vale
 - André Jum Yassuda - engenheiro da TÜV SÜD
 - Artur Bastos Ribeiro - Gerência de geotecnia
 - Cristina Heloiza da Silva Malheiros - Gerência de geotecnia
 - Felipe Figueiredo Rocha - Setor de gestão de riscos geotécnicos
 - Cesar Augusto Paulino Grandchamp - geólogo da Vale
 - Makoto Namba - engenheiro da TÜV SÜD
 - Hélio Márcio Lopes de Cerqueira - Setor de gestão de riscos geotécnicos
 - Joaquim Pedro de Toledo - Gerente-executivo da geotecnia operacional da Vale
 - Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo - Setor de gestão de riscos geométricos
 - Renzo Albieri Guimarães Carvalho - Gerência de geotecnia
 - Ricardo de Oliveira - gerente de Meio Ambiente Corredor Sudeste da Vale
 - Rodrigo Artur Gomes Melo - gerente executivo do Complexo Paraopeba da Vale

Os 13 investigados pelo rompimento da barragem da Vale já estiveram presos duas vezes. Da última vez, foram liberados entre a noite do dia 15 de março e a madrugada do dia 16, após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) conceder favoravelmente um habeas corpus que considerou as prisões desnecessárias.

Nenhum comentário:

Deixe sua opinião, sempre com respeito:

Tecnologia do Blogger.