Fotos mostram defeitos na drenagem da barragem da Vale em Brumadinho

Imagens mostram problemas no sistema de drenagem interna da barragem: são tubos danificados e entupimento provocado pelo acúmulo de minério.
Laudos apontam defeitos no sistema de drenagem interna da barragem em Brumadinho. (Foto: TV Globo)
Tube News
05/02/2019  06h28m
Em laudos feitos pela empresa alemã Tüv Süd, a pedido da Vale, é possível ver defeitos no sistema de drenagem interna da Barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho.

Os engenheiros elaboraram dois relatórios sobre as condições de segurança da barragem. O primeiro é de agosto de 2017. São 265 páginas, com dezenas de fotos, gráficos e análises técnicas.

Nesse primeiro relatório, “o desempenho da barragem se encontrava adequado, atendendo às exigências das normas brasileiras de segurança para barragens”.

A pedido da Vale, os engenheiros da Tüv Süd repetiram a inspeção em julho do ano passado. São mais 128 páginas, que terminam reafirmando a estabilidade da estrutura.

O Jornal da Globo mostrou os dois relatórios para o professor Edilson Pizzato, do Instituto de Geociência da USP. Para ele, os critérios técnicos usados na avaliação de risco da barragem de Brumadinho estavam corretos.

“A metodologia utilizada é conhecida, utilizada no mundo inteiro. As análises indicam, pela própria conclusão deles, que a barragem tinha condição de segurança", diz Pizzato

Mas algumas fotos chamaram a atenção do professor. Elas mostram problemas no sistema de drenagem interna da barragem. São tubos danificados, entupidos pela vegetação, e a formação de colóide, uma espécie de entupimento provocado pelo acúmulo de minério.

“No próprio relatório foram indicados alguns problemas em relação à drenagem interna. São drenos horizontais profundos. São drenos que vão tirar a água de dentro do maciço. E é aquela água que satura o material, a água que é interna. E é justamente um dos fatores que pode levar à liquefação do material. O material está saturado. Então, se nesse tempo de três meses, praticamente entre o relatório até o rompimento, ocorreu problema na drenagem e acumulou água dentro do maciço. Isso poderia ter levado a ruptura. Por que? O estado de saturação estaria diferente do que ele apontou no relatório”, diz o professor.

Entre os responsáveis estão os engenheiros Makoto Namba e André Yassuda. Eles foram presos na semana passada, suspeitos de crimes ambientais, falsidade ideológica e homicídio.

O advogado dos dois engenheiros anexou os relatórios no pedido de liberdade feito à Justiça mineira, para tentar mostrar que Makoto Namba e André Yassuda cumpriram com suas responsabilidades profissionais e apontaram a situação da barragem. O Tribunal de Justiça de Minas (TJ-MG) negou o pedido liminar de habeas corpus. A defesa recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O Jornal da Globo não conseguiu contato com a Vale para repercutir o documento.

A Barragem I da Mina do Córrego do Feijão estava sem receber rejeitos desde 2015 e era usada para clarificar água para a barragem VI. A estrutura se rompeu no dia 25 de janeiro despejando um tsunami de minério. Na segunda-feira (4) 134 mortes haviam sido confirmadas e 199 seguiam desaparecidas.

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