Tragédia em Brumadinho

Rompimento acabou provocando o transbordamento de outras duas barragens. Os bombeiros afirmaram que vazaram 13 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério.
Trajeto dos rejeitos de minério. (Foto: TV Globo/Jornal Nacional)

Tube News, via Jornal Nacional e TV Globo
25/01/2019  21h30m
Uma enxurrada de lama fez o Brasil inteiro relembrar, nesta sexta (25), a tragédia ambiental e humana registrada há pouco mais de 38 meses em Minas Gerais. De novo, em Minas Gerais. De novo, pelo rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração da Vale, que acabou provocando o transbordamento de outras duas barragens.

Veja o vídeo:


No início da tarde, um mar de lama desceu por um vale cheio de sítios e vilarejos e saiu destruindo a vegetação, cobrindo as casas e revirando muitos carros. Eram 13h20 quando os bombeiros confirmaram o rompimento de uma barragem de rejeitos da Mina do Feijão. Ela ficava numa área rural, a poucos quilômetros de Brumadinho, na Região Metropolitana e Belo Horizonte. Faz parte de um complexo de mineração da Vale. A empresa disse que a barragem tinha rejeitos de minério de ferro e não estava ativa desde 2015.

Muitos funcionários estavam no refeitório. Ainda não se sabe quantas pessoas estavam no local. Em pouco tempo, a lama cobriu a área administrativa da Vale e parte da comunidade da Vila Ferteco. Aproximadamente mil pessoas moram na região.

Em Brumadinho, a polícia avisou aos moradores do rompimento. Outras quatro cidades da região estão em alerta.

A imagem parece a repetição de uma cena de 2015, em Mariana, com o rompimento da barragem de Fundão, da Samarco. A lama tem uma consistência diferente daquela do rompimento da Samarco, em Mariana. Parece ter menos teor de água.

Essa barragem que se rompeu nesta sexta (25) é chamada de barragem à montante, mesmo tipo da barragem de Fundão. O alteamento delas é feito com o próprio rejeito e em direção à barragem. Especialistas em mineração alertam que elas são as mais comuns e mais baratas.

No fim da tarde, o Ministério do Meio Ambiente declarou que outras duas barragens do complexo se romperam. Os bombeiros afirmaram que vazaram 13 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério. Essa quantidade é um quarto do que vazou da barragem de Fundão, em Mariana, há três anos. As imagens de antes e depois do rompimento mostram a dimensão da destruição.


A lama seguiu rumo ao rio Paraopeba, um dos principais afluentes do São Francisco. Parte do abastecimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte é feita com a captação da água do Paraopeba. A Copasa afirmou que está suspensa a captação da água do rio Paraopeba em Brumadinho e que o abastecimento da população atendida pelo sistema Paraopeba está sendo realizado por outras represas e pelo Rio das Velhas.

Veja fotos da tragédia em Brumadinho.

No início da noite, o governador de Minas, Romeu Zema, do Novo, chegou ao local da tragédia com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

O presidente da Vale, Fabio Schvartsman, disse que vai investigar as causas da tragédia que classificou como inaceitável: “nós não sabemos a extensão ainda, nós não sabemos a causa, mas o que eu quero dividir com vocês é a nossa consternação, o nosso profundo pesar pelo que aconteceu. Não existem palavras que possam explicar a dor que eu tô sentido pelo que terá sido causado às vítimas, se elas existirem.

Porque nesse volume de coisas que acontecem, certamente tem. A nossa preocupação, a minha preocupação, a Vale como um todo vai se preocupar profundamente com as vítimas, resgatar as pessoas, atender as pessoas, fazer tudo o que tiver a seu alcance pra tentar enfrentar essa situação inimaginável.

Não importa qual seja a causa, isso é inaceitável. Nós vamos fazer uma investigação rápida e profunda pra descobrir o que aconteceu e vamos tomar as providências todas que forem necessárias”.

Veja vídeos:

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