Vídeo mostra momento que sushiman é morto por PMs em SP - Tube News

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30 novembro 2018

Vídeo mostra momento que sushiman é morto por PMs em SP

Câmera gravou policiais errando disparos de bala de borracha e de taser. Leandro Santos levou cinco tiros pelas costas após surtar e ameaçar esfaquear colegas e clientes.
 Após levar quatro tiros, sushiman cai e policiais se aproximam — Foto: TV Globo/Reprodução
Tube News, via G1
30/11/2018  08h16m
Vídeos obtidos com exclusividade pelo SP2 mostram policiais militares acuando e atirando em um sushiman pelas costas, na semana passada, no restaurante japonês de alto padrão em que ele trabalhava havia sete anos, no Itaim Bibi, bairro nobre da Zona Sul de São Paulo (assista acima).

Leandro Santana dos Santos, de 26 anos, foi morto com quatro tiros porque teria tido um surto e ameaçou esfaquear outros funcionários e clientes do Jam.

Os agentes alegam que atiraram em legítima defesa. A Polícia Civil e a Corregedoria da PM apuram se houve excessos ou erro de procedimento dos policiais no uso progressivo da força para conter o sushiman.

A Ouvidoria da Polícia teve acesso às imagens e critica a ação dos agentes. Segundo o ouvidor Benedito Mariano, as cenas demonstram “total despreparo” dos policiais no uso de armas não letais.

A confusão começou por volta das 23h da quarta passada. Testemunha disseram que 50 pessoas jantavam no Jam quando Leandro segurou o colega que estava na cozinha, e sem dizer nada, o ameaçou com uma faca. Após a intervenção de colegas, o cozinheiro foi solto e machucou o pescoço.

A PM foi acionada e foi até o local. Nas cenas é possível ver o sushiman subir no andar superior. Ele aparece correndo, segurando uma faca enquanto foge dos policiais.
Sushiman Leandro atira faca contra policiais, mas não acerta ninguém — Foto: TV Globo/Reprodução


Em seguida, Leandro tenta se esconder atrás do balcão de um bar. Lá ele diz algo para os agentes, pega outra faca e atira na direção deles. Um PM se esquiva e não é atingido.

As cenas mostram o sushiman acuado e cercado por mais de dez policiais armados com equipamentos não-letais para conter distúrbios (escopeta calibre 12 com balas de borracha e taser, que é uma arma de choque, e escudo) além de armas de fogo letais (pistolas .40).
Policial tenta acertá-lo com arma de choque — Foto: TV Globo/Reprodução

Nas filmagens, ao menos quatro policiais reagem na sequência. Eles estão a pouco mais de 2 metros de distância de Leandro. Um deles com uma arma com munição de borracha dispara seis vezes na direção do sushiman, mas não o atinge.
Leandro Santana dos Santos foi baleado em restaurante após ameaçar clientes e colegas com faca — Foto: Arquivo pessoal; Glauco Araújo/G1

Outro aparece tentando acertá-lo com o taser, mas erra o alvo. Em seguida, são feitos cinco disparos. Leandro é atingido por balas .40 e cai ferido. Ele chegou a ser socorrido, levado ao Hospital das Clínicas (HC), onde morreu.

O Instituto Médico-Legal (IML), da Superintendência da Polícia Técnico-Científica, encontrou perfurações no braço esquerdo, perto da coluna, nas nádegas e próximo ao joelho direito. A causa da morte dele foi “anemia aguda por hemorragia interna traumática”, segundo o laudo necroscópico.
Restaurante Jam, no Itaim Bibi, Zona Sul de São Paulo, onde sushiman foi morto a tiros pela PM — Foto: Kleber Tomaz/G1

Ouvidoria pede apuração rigorosa
De acordo com o ouvidor da polícia, houve ao menos quatro falhas na ação dos policiais. Ele cobra das autoridades uma apuração rigorosa do caso.

“Negligenciaram todos os procedimentos padrões da Polícia Militar, em especial o Método Giraldi. Necessidade: não havia necessidade do uso de arma de fogo. Proporcionalidade: usaram de força desproporcional nessa ocorrência. Oportunidade e qualidade: por não terem levado em conta os dois itens iniciais, eles, evidentemente, eles não avaliaram a oportunidade e qualidade da ação”, disse Mariano.

As imagens estão sendo analisadas por policiais civis, militares e peritos.

Investigação
O 15º Distrito Policial (DP) instaurou inquérito para apurar as causas e eventuais responsabilidades pela morte do sushiman. O boletim de ocorrência foi registrado como homicídio “decorrente de oposição à intervenção policial”, resistência e lesão corporal.

“Esse inquérito está sendo feito para apurar circunstâncias da morte desse sushiman e as circunstâncias que se deu a intervenção policial: se os policiais militares agiram em legítima defesa e se não houve nenhum tipo de excesso por parte deles”, disse o delegado Fábio Pinheiro Lopes.

A investigação ouviu parentes de Leandro, que negaram que ele pudesse ter algum problema pessoal para desencadear o suposto surto informado pelos PMs.

Nesta quinta, ele decretou sigilo no inquérito. Segundo o policial, a divulgação de informações à imprensa podem atrapalhar as investigações.

Segundo a cozinheira, Emilene Pereira da Silva Gonçalves, de 41 anos, o marido não teve “surto porque isso é coisa de louco e Leandro não era louco”. O sushiman deixa uma filha, atualmente com sete meses, fruto do relacionamento com a mulher. Colegas do sushiman classificaram a vítima apenas como uma pessoa quieta.

O Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Científica deverá fazer um laudo a partir das imagens das câmeras. A Corregedoria da PM informou que afastou preventivamente dos trabalhos nas ruas os policiais envolvidos na ocorrência.

Antes de concluir o inquérito, o delegado que investiga o caso pretender ouvir os PMs para saber qual será a versão deles para a morte de Leandro.

Em nota, o restaurante Jam lamentou a morte do funcionário, que trabalharia havia sete anos no local. "Lamentamos profundamente a perda do colaborador Leandro e permanecemos solidários com a família, entes queridos e demais membros da equipe neste momento de muita dor. Que sua alma descanse em paz".
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