Gay Talese diz que também já foi vítima de fake news - Tube News

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12 outubro 2018

Gay Talese diz que também já foi vítima de fake news

Americano contou tema de seu próximo livro no 'Conversa com Bial'.
Gay Talese recebeu Pedro Bial em Nova York — Foto: TV Globo
Tube News, via GShow e TV Globo
12/10/2018 06h56m
Um dos grandes expoentes do Novo Jornalismo, Gay Talese se tornou referência para profissionais do mundo inteiro ao romper com estruturas do texto jornalístico tradicional, utilizando ferramentas do texto tido como literário para contar histórias reais na década de 1960. No Conversa com Bial desta quinta-feira, 11/10, a lenda viva do jornalismo afirmou que também já foi vítima de fake news. E mais de uma vez! A primeira ocorreu há cerca de dois anos:

"Ao final de uma palestra, um jovem me perguntou quais escritoras me influenciaram. Quando jovem queria ser jornalista esportivo. Não consegui pensar em nenhuma porque não haviam mulheres que cobriam esportes naquela época. Estou falando de 1940".

"Durante dias, lia-se na internet: 'Gay Talese não gosta de escritoras'. No dia seguinte, fiz uma declaração, mas não adiantou".

O segundo caso ocorreu há alguns meses, correu o mundo e fez com que ele fosse banido da Universidade de Yale nos Estados Unidos. O veterano, de 86 anos, foi questionado sobre quem gostaria de escrever um artigo e não titubeou ao responder Kevin Spacey.

"O repórter me perguntou o motivo. Respondi: 'porque ele acaba de ser difamado'", disse Telese, reiterando que não sabia que o ator havia sido acusado de assédio sexual por mais de uma pessoa.

Com mais de seis décadas de profissão, o americano contou que a vida inteira ignorou prazos, ressaltou que um bom repórter deve saber a hora de ficar em silêncio e afirmou que os jornalistas atuais não estão preocupados em escrever bem:

"Querem chegar na frente, dar furos. Furos não valem nada".

Talese disse ainda que não se sente à vontade em dar palestras para estudantes de Comunicação porque seu método de trabalho é muito diferente da geração que está nas universidades e que jamais escreveu uma matéria onde não pudesse publicar o nome de um personagem:

"Ainda uso fichas de papel cartão e não uso gravador".

"Descobri que as pessoas não dizem o que pensam, mas o que acham que você quer ouvir ou o que pega bem".

"Tenho paciência para esperar que declarem quem elas são claramente. Só falo aos leitores sobre alguém cujo nome eu possa citar".

Em seu mais recente trabalho, o livro “O Voyeur”, ele relata supostas cenas sexuais testemunhadas pelo proprietário de um motel que espiava todos os seus hóspedes. Questionado sobre as críticas que o projeto recebeu sobre a falta de fontes para a construção da história, o veterano se defendeu:

"Tive duas fontes. Ele [o dono do motel] tinha duas mulheres, elas o acompanharam durante o percurso de 'Voyeur'. Tudo o que me disse, a mulher dele me confirmou. A questão é que ele fez coisas ilegais".

Casado há 58 anos com a editora Nan Talese, Gay vai lançar um livro sobre as quase seis décadas de seu matrimônio. O americano garantiu que a esposa aprovou o projeto:

"Estou trabalhando nele".

"Desde que nós nos casamos, anoto tudo o que penso sobre ela. Todos os dias registrava alguma coisa. Inclusive os motivos da briga".

O jornalista revelou o segredo para um relacionamento amoroso ser duradouro:

"O que mantém um casamento é o respeito. Quando ele não existe, você pode ter o melhor sexo do mundo que não funciona".

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