'Programa brasileiro na Antártida pode acabar por falta de verba' - Tube News

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19 agosto 2018

'Programa brasileiro na Antártida pode acabar por falta de verba'

Jefferson Simões foi 1º brasileiro a fazer travessia para o Polo Sul. União promete edital com novos investimentos 'ainda este ano'.
Instrumentos de campo instalados na Antártica Ocidental (Foto: Colin Jenkinson, Australian Bureau of Meteorology)
Com 70% de toda a água doce do planeta, a Antártica é o laboratório a céu aberto de um grupo de pesquisadores brasileiros que se aventuram, uma vez ao ano, a viver e fazer ciência em condições extremas.

Foi nesse continente gelado que o pesquisador brasileiro Jefferson Simões, de 60 anos, se aventurou pela primeira vez em 1991. Treze anos depois, em 2004, o glaciólogo (especialista em gelo) se tornou o primeiro brasileiro a fazer a travessia terrestre da costa antártica ao Polo Sul.

Em 60 dias, foram 2,2 mil quilômetros percorridos sobre a neve em um trator a 15 km/h. A distância é a mesma entre Brasília e Fortaleza, no Ceará.
Pinguin de Adélia, espécie encontrada na Antártica (Foto: Marcelo Jatobá/UnB)

Desde então, foram 22 expedições à Antártica – cerca de três anos vividos em um cenário descrito pelo próprio Simões como "um deserto de gelo e neve". O objetivo, conta, é coletar materiais conservados há milênios nas geleiras do local.


Simões afirmou, no entanto, que o Programa Antártico Brasileiro (ProAntar) – que desenvolve este tipo de pesquisa – está "sob risco de colapso". O cientista diz que as pesquisas só terão recursos para se manter pelos próximos três meses. O último edital lançado foi em 2013.
Jefferson Simões é glaciólogo e cientista à frente do Programa Antártico Brasileiro (Foto: Arquivo Pessoal)

"Se não sair o edital, o Programa Antártico Brasileiro pode parar agora. Só temos dinheiro até novembro."

Em nota o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTIC) afirmou que o próximo edital do programa antártico está previsto "ainda para este ano".

O total de investimentos para 2019 será de R$ 18 milhões. No ano passado, foram disponibilizados de R$ 2,1 milhões para o programa de pesquisa.
Jefferson Simões em frente ao módulo Criosfera 1; estação é a 1ª unidade científica brasileira no interior da Antártica (Foto: Arquivo Pessoal)
Futuro do continente gelado
Na tentativa de preservar as incalculáveis reservas minerais e energéticas concentradas no continente, cerca de 30 países assinaram, em 1959, o Tratado da Antártida. O acordo proíbe a exploração natural do continente e o uso para fins militares.

No entanto, o prazo dessa moratória termina em 2048. Para discutir o futuro da presença brasileira no local, cientistas brasileiros e representantes do governo federal se reuniram nesta semana em Brasília para um encontro sobre o tema. O seminário foi aberto ao público, no Palácio do Planalto.

Na ocasião, o cientista Jefferson Simões falou com a reportagem sobre as "dificuldades em fazer ciência no Brasil", entre outros temas.

Ave da espécie skua se alimenta de ovo em ilha da Antártica (Foto: Marcelo Jatobá/UnB)
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