Sonda japonesa Hayabusa 2 está cada vez mais próxima do asteroide Ryugu - Tube News

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22 junho 2018

Sonda japonesa Hayabusa 2 está cada vez mais próxima do asteroide Ryugu

O asteroide foi descoberto em 1999 e é classificado como potencialmente perigoso, pois ele chega a cruzar a órbita da Terra.
Sonda japonesa Hayabusa 2 está cada vez mais próxima do asteroide Ryugu (Foto: JAXA, University of Tokyo, Koichi University, Rikkyo University, Nagoya University, Chiba Institute of Technology, Meiji University, University of Aizu e AIST)

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Enquanto a gente está com as atenções voltadas para a Copa do Mundo, uns torcendo contra outros a favor, a sonda japonesa Hayabusa 2 vai discretamente se aproximando do seu alvo no espaço. Em apenas dois dias, a sonda se aproximou a 100 km de distância de Ryugu, um pequeno asteroide com forma de diamante que tem um diâmetro de quase 1 km.

O asteroide foi descoberto em 1999 e é classificado como potencialmente perigoso, pois ele chega a cruzar a órbita da Terra. Todavia, as simulações mostram que não há nenhuma possibilidade de haver uma colisão com ele nos próximos milênios.

A sonda Hayabusa 2 (que significa falcão peregrino em japonês) tem uma missão ambiciosa, pousar na superfície de Ryugu, coletar uma amostra e retornar à Terra. Sua antecessora tinha uma missão assim também, em 2005 ela deveria se aproximar do asteroide Itokawa e, sem pousar nele, recolher amostras do solo para depois retornar à Terra. Só que um erro na telemetria fez com que a leitura da distância até o asteroide fosse feita de forma incorreta e a nave acabou se chocando com ele. Foi um choque leve, que não inutilizou a sonda, mas impediu que ela coletasse as amostras pretendidas. Mas como a sorte acompanha os craques, o choque com o asteroide fez com que um pouco da poeira da sua superfície caísse dentro do compartimento de coleta. Depois de passar uns 30 minutos na superfície, a Hayabusa decolou e completou sua missão de voltar para a Terra. Em junho de 2010 seu compartimento de carga caiu na Austrália e análises posteriores confirmaram que alguns grãos de poeira tinham sido trazidos.

A missão da Hayabusa 2 é bem mais ousada. Ela vai pousar sobre o asteroide, mas também vai liberar 3 jipinhos para passear na superfície. Ao pousar, também deve deixar um pacote com 4 instrumentos para permanecer como base fixa de estudos. O interessante é que depois que o time da Hayabusa encontrar o local adequado para pouso, ela vai liberar 5 marcadores de terreno para orientar o pouso. Os marcadores são como sacos de feijão, ou seja, não são rígidos a ponto de rolar, mas sim maleáveis para se deformarem conforme o terreno.

A sonda também vai com uma capa cônica de cobre puro com massa de 2 kg. Ao chegar próximo do asteroide, a capa vai ser ejetada a uma velocidade de 120 km/h para se chocar com ele. Com isso o time da Hayabusa pretende estudar como a superfície se alterou com o impacto, mas também pretende coletar a poeira que se levantar do subsolo e que não foi irradiada pelos raios solares e raios cósmicos do espaço. Além disso, os equipamentos em no asteroide vão registrar os tremores criados pelo choque, como se faz com os terremotos, para conhecer sua estrutura interna.

Atualmente a Hayabusa está a uma distância de menos de 100 km e se tudo correr bem deve fazer seu primeiro pouso entre setembro e outubro próximos, quando deve liberar um dos jipinhos. Em fevereiro de 2019 deve efetuar um segundo pouso, para em março ejetar a capa de cobre para criar uma cratera em Ryugu. Entre abril e maio a sonda deve pousar pela terceira e última vez para liberar os outros dois jipinhos, ficando até julho em sua superfície. Depois disso, a nave deve começar seu caminho para casa no final de 2019.

É hora de ficar ligado para acompanhar essas manobras todas. Se tudo der certo vai ser muito legal! Além do que, Ryugu é um dos asteroides selecionados para potencial atividade de mineração. Ele chegou a ser avaliado em quase 83 bilhões de dólares, ou seja, sua exploração pode render esse valor se ele for inteiramente minerado.

Por Cassio Barbosa, blog do G1
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