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02 maio 2018

SOBE PARA 4 O Nº DE DESAPARECIDOS NO INCÊDIO EM SP; PRÉDIO DESABOU

Além do homem que era resgatado quando o prédio desabou, bombeiros confirmaram uma mãe e dois filhos gêmeos como possíveis vítimas.
(WILLIAN MOREIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO)

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O capitão do Corpo de Bombeiros Marcos Palumbo confirmou, no início da tarde desta quarta-feira (2/5), mais três vítimas oficialmente desaparecidas: Selma Almeida da Silva, de 48 anos, mãe de dois filhos gêmeos (Welder e Wender, de 9 anos). Eles estariam no 8° andar do prédio. A quarta vítima foi identificada como Ricardo Amorim, de 30 anos. O homem estava sendo resgatado quando o edifício ruiu. Ao todo, de acordo com a equipe de resgate, 49 moradores do prédio ainda não se apresentaram.

“Um homem veio fazer a reclamação oficial para a assistência social de que a sua mulher e dois filhos gêmeos, ocupantes do 8° andar, estariam desaparecidos. Ele já procurou, já fez telefonemas. A assistência social está ajudando porque ela poderia ter sido transferida para outro albergue”, disse Palumbo. “No mais, não foram localizadas essas outras possíveis vítimas, então assimilaremos essas pessoas como desaparecidas. Passaremos a quatro vítimas no local”, afirmou o capitão.

No início da tarde, os bombeiros reforçaram as buscas por vítimas sob os escombros. A equipe de resgaste conta com 90 homens.

Procura por parentes
No local, pessoas já começam a procurar por parentes supostamente desaparecidos. Marlene Ribeiro está à procura do ex-cunhado Francisco Lemos Dantas. Segundo ela, o homem morava no 8º andar do prédio havia um mês. Era confeiteiro e tinha 56 anos. “Um sobrinho nosso falou com ele por volta das 22h da segunda-feira (30/4). E depois não conseguiu mais. O celular só cai na caixa postal”, disse a mulher.

Segundo afirmou o major Max Alexandre Schroeder, os agentes estão usando equipamentos pequenos, como britadeiras, para remover as estruturas. Somente depois de 48 horas da tragédia, quando a chance de encontrar alguém com vida é quase nula, eles usarão máquinas pesadas, como retroescavadeiras.

O prédio estava ocupado irregularmente por sem-teto. Com base em relatos dos invasores, eles pagavam um aluguel de até R$ 400 para morar no edifício. O dinheiro era usado a fim de custear as despesas do prédio, que tinha até porteiro.


Tragédia
O prédio, de 24 andares, desabou durante um incêndio de grandes proporções. A Igreja Luterana situada ao lado da estrutura que ruiu também pegou fogo. O templo ficou parcialmente destruído e teve de ser interditado.

A única vítima confirmada até agora era resgatada por corda pela equipe de socorro quando a estrutura do edifício foi ao chão. A corda que o prendia se rompeu e o homem caiu. Um bombeiro também se feriu durante o desabamento.

A estrutura era uma instalação desativada da Polícia Federal. Segundo comerciantes do entorno, o local era ocupado ilegalmente. Antes de ruir, algumas pessoas pediam socorro no último andar. As chamas começaram no quinto andar, depois se alastraram rapidamente para os níveis superiores. Ao todo, 160 militares atuam no combate ao incêndio e no resgate das vítimas.

Vídeos mostram o momento exato do desabamento. Em um deles, uma moradora que reside ao lado do edifício narra desesperadamente: “Tem gente pendurada? Será que vão conseguir pegar essa pessoa? Meu Deus! Meu Deus do céu!”, grita aos prantos após a estrutura ruir.


Assista:

Nobel da Paz
O prédio foi palco de eventos célebres nos anos 1980 e alojou o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), mas estava ocioso desde 2009. A PF mudou para o atual endereço, na Lapa, em 2003. O argentino Adolfo Pérez Esquivel, vencedor do Prêmio Nobel da Paz, ficou preso no local, em 1981, após criticar a Lei da Anistia e encaminhado ao prédio da Antônio de Godói.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o prédio havia passado por vistoria, na qual foram relatadas as péssimas condições do local às autoridades do município. Conforme informou a corporação, os compartimentos entre os andares eram divididos por madeira, o que ajudou a propagar as chamas.

Um edifício vizinho também foi atingido e as chamas se espalharam por dois andares. A estrutura foi esvaziada e interditada. De acordo com o Corpo de Bombeiros, o risco de colapso é mínimo e não há vítimas deste incêndio.

Devido ao combate às chamas, no trecho entre a Avenida Rio Branco e a Rua Antônio de Godói, os militares recomendam aos motoristas evitarem passar pela região do Largo do Paissandu. Três quarteirões estão fechados.

Investigação
O Ministério Público do Estado de São Paulo determinou que sejam investigadas as causas do acidente, bem como a veracidade dos relatórios técnicos encaminhados pelos órgãos públicos responsáveis pela manutenção e fiscalização do edifício Wilton Paes de Almeida.

A Promotoria de Habitação de Urbanismo havia instaurado, em 24 de agosto de 2015, um inquérito civil para apurar a possível existência de risco no imóvel, que foi arquivado. De acordo com nota do Ministério Público, o caso foi reaberto em virtude dos “gravíssimos fatos ocorridos”.

Com base no alegado na nota, ao longo de dois anos e sete meses de investigação, os órgãos públicos incumbidos de fiscalizar o imóvel, em especial a Defesa Civil de São Paulo e a Secretaria Especial de Licenciamentos, informaram que, a despeito do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) estar vencido, não havia risco concreto para fazer a interdição da estrutura.

Por Estadão Conteúdo
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