CRÍTICA | HAN SOLO: UMA HISTÓRIA STAR WARS

Filme trocou de diretores e contratou orientador de atuação para protagonista e mesmo assim consegue bom resultado. Produção estreia no Brasil nesta quinta-feira (17).
Thandie Newton, Woody Harrelson e Alden Ehrenreich em cena de 'Han Solo: Uma história Star Wars' (Foto: Divulgação)

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Não é segredo que “Han Solo: Uma história Star Wars” passou por diversos problemas durante sua produção. Talvez seja exatamente por causa de tamanho sofrimento que o novo filme derivado da saga especial, que estreia no Brasil no dia 24, surpreenda tanto só pelo fato de não ser terrível.

Muito depende das baixas expectativas do público, é claro, mas “Han Solo” vai além do “ok” e pode considerar sua missão um sucesso. Tudo isso ao seguir as lições de “Rogue One” (2016), outro capítulo paralelo da série que sofreu nos bastidores.

Não é preciso dizer as chances
“Han Solo” é uma história clássica de origem de herói. Começa com sua juventude nas ruas opressoras e criminosas do planeta Corellia, passa pela formação de seu sonho em se tornar “o melhor piloto da galáxia” e salvar Qi’ra (Emilia Clarke), a namorada deixada para trás.

O filme focado no contrabandista originalmente famoso na pele de Harrison Ford, assim como o antecessor, mantém sua história simples, direta e sem riscos. Poderia ser frustrante, mas, considerando a troca de diretores quando as gravações já estavam avançadas e a suposta contratação de um treinador de atores para orientar seu protagonista, é muito melhor do que qualquer um poderia esperar.

No meio disso tudo, encontra um mentor (Woody Harrelson) para a vida de fora da lei e personagens clássicos como Chewbacca (Peter Mayhew pela primeira vez dá lugar para outra pessoa dentro da fantasia, o finlandês Joonas Suotamo) e Lando Calrissian (Donald Glover), além de ter o primeiro contato com uma tal de Millenium Falcon.

Sem desvios e complicações desnecessárias, a trama até pode ser previsível, mas é um capítulo competente de Star Wars. O público pode ver de longe o que vai acontecer. Assim como em “Rogue One”, a diversão está na viagem, e não em descobrir o destino.
Joonas Suotamo, Woody Harrelson, Emilia Clarke e ALden Ehrenreich em cena de 'Han Solo: Uma história Star Wars' (Foto: Divulgação)

Ótimo, garoto. Não fique arrogante
Outra boa notícia é que o orientador de atuações, e é que existiu de verdade, foi um dinheiro bem gasto. O americano Alden Ehrenreich (“Ave, César!”) não compromete no difícil papel de substituir Ford.

Sua atuação não passa de uma imitação do clássico, mas podemos viver com isso. É o máximo que se pode pedir de um ator que sempre demonstrou ser muito limitado.

Já Glover ("Atlanta"), muito celebrado recentemente pelo clipe de “This is America” e cuja escalação ofuscou o colega, manda muito bem como Lando, e sua relação com a droide L3 (Phoebe Waller-Bridge) é uma das coisas mais legais da produção.

Mesmo assim, em todas as suas cenas fica evidente como o ator está longe de ter o charme – com a falta de uma palavra melhor em português – de um Billy Dee Williams.
Phoebe Waller-Bridge faz a voz de L3 e Donald Glover interpreta Lando em cena de 'Han Solo: Uma história Star Wars' (Foto: Divulgação)

Pilha de sucata
O maior trunfo do filme talvez seja mesmo o diretor Ron Howard, que pegou o projeto em andamento e, com a experiência de quem já ganhou o Oscar por “Uma mente brilhante” (2001), conseguiu transformar um monte de sucata em algo digno de fazer o percurso Kessel em menos de 12 parsecs.

Por outro lado, o maior defeito provavelmente será exatamente seu sucesso. A trama dá inúmeras pistas, como o retorno de um personagem muito querido das fãs, de que ganhará no mínimo uma (desnecessária) sequência.

A Disney precisa aprender com seus erros e seus acertos e não ficar arrogante. O estúdio já abusou demais da sorte dessa vez. Se continuar forçando, não é preciso ser um Solo para ter um mau pressentimento quanto a isso.

Por Cesar Soto, G1
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