MESMO APÓS ACORDO COM GOVERNO, CAMINHONEIROS MANTÊM PROTESTOS - Tube News

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25 maio 2018

MESMO APÓS ACORDO COM GOVERNO, CAMINHONEIROS MANTÊM PROTESTOS

Mesmo após acordo, caminhoneiros mantêm bloqueios em estradas; documento não foi assinado por todos os representantes da categoria.
Foto: Tiago Queiroz/Estadão

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Após sete horas de reunião entre governo e representantes dos caminhoneiros, o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) anunciou na noite de quinta-feira que houve acordo pela suspensão da greve por 15 dias.

Nove das 11 entidades presentes aceitaram a proposta do Executivo, que prevê prazo de 30 dias para reajustes no preço do diesel. Esta era uma das principais demandas dos caminhoneiros, que queriam mais previsibilidade nos reajustes.

Apesar do acordo anunciado ontem pela suspensão da greve dos caminhoneiros por 15 dias, a rodovia BR-116 permanece com pontos de bloqueio. O tráfego está liberado para veículos leves.

Leia no BR18: Ninguém garante fim dos bloqueios

SÃO PAULO
A SPTrans informou que a manutenção da greve dos caminhoneiros, que prejudica o abastecimento de combustível para o sistema municipal de transporte, pode afetar a circulação de cerca de 50% da frota de ônibus da cidade nesta sexta-feira. Veja aqui outras medidas tomadas pela Prefeitura.

Há interdições em rodovias federais em 24 Estados e no Distrito Federal. Apenas Amazonas e Amapá não registram bloqueios de caminhoneiros, segundo informações da Polícia Rodoviária Federal.

A prefeitura do pequeno município de Santa Vitória do Palmar, no interior do Rio Grande do Sul, declarou estado de calamidade pública por causa dos reflexos da greve dos caminhoneiros. Todo combustível disponível foi declarado de utilidade pública para fins de desapropriação. Ou seja, quem tiver gasolina ou diesel sobrando deverá entregar à administração pública. Mas quase ninguém tem combustível na cidade, que fica a 240 quilômetros (km) de Rio Grande e a 260 km de Pelotas. (Renée Pereira) Leia mais aqui.

COLUNA DO ESTADÃO
Os apelos de congressistas para que o governo demita Pedro Parente da Petrobrás irritaram o presidente Michel Temer. Em conversas reservadas pouco antes de participar de evento na cidade de Porto Real, no Rio, ontem, Temer se queixou dos ataques a Parente e se mostrou aborrecido por atingirem um "técnico dessa qualidade".

Ele descartou qualquer possibilidade de ceder à pressão política. O primeiro a pedir a demissão de Parente foi o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB). Seguido ontem de Cássio Cunha Lima e Paulinho da Força.

MERCADO FINANCEIRO
O presidente da Petrobrás, Pedro Parente, tentou convencer o mercado financeiro de que tomou uma decisão "tática" ao congelar e reduzir o preço do óleo diesel em 10%, em resposta ao protesto dos caminhoneiros. Mas não conseguiu e as ações da empresa fecharam na quinta-feira com recuo de 13,71% (PN) e 14,55% (ON). A queda fez a petroleira perder R$ 47,2 bilhões em valor de mercado em apenas um dia, além do posto de empresa mais valiosa da BM&FBovespa, ao ser ultrapassada pela Ambev.

As ações já abriram em forte baixa, o que levou Parente a convocar uma teleconferência com analistas de mercado para tentar conter a queda livre do papel. Em uma hora de conversa, repetiu várias vezes que a medida foi "extraordinária" e que "não irá se repetir". Questionado sobre as garantias de que, num cenário de emergência, não voltará a anunciar o descolamento dos preços dos combustíveis da paridade internacional, o presidente da Petrobrás falou em demissão. (Fernanda Nunes, Mônica Scaramuzzo e Renato Carvalho)

A greve dos caminhoneiros expôs a fragilidadedo governo Michel Temer, revelou movimentos políticos para as eleições de outubro e mostrou o distanciamento de antigos aliados no Congresso. Pré-candidato ao Palácio do Planalto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia(DEM-RJ), entrou em nova rota de colisão com Temer e com seu colega Eunício Oliveira (MDB-CE), que comanda o Senado. A briga atravessou a Praça dos Três Poderes e provocou impasse.

Dias após desistir de disputar novo mandato e anunciar a candidatura do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles pelo MDB, Temer sofre as consequências do fim de um governo impopular. Além de enfrentar o racha no MDB, ele também perdeu apoio na Câmara e no Senado. (Vera Rosa e Adriana Fernandes)

Quando Pedro Parente adentrou anteontem à reunião do Conselho de Administração da Petrobrás, a primeira com sua nova formação, para anunciar a decisão de reduzir o preço do diesel, cedendo à pressão dos caminhoneiros, a reação foi de estupefação. Dos conselheiros presentes, apenas dois se manifestaram a favor da decisão de Parente, incluindo o representante dos funcionários. A maioria se disse claramente contrária.

Antes da decisão fatídica, um conselheiro chegou a dizer que a mudança da política de preços só seria feita "sobre o meu cadáver" (a decisão, na verdade, cabe à diretoria executiva, e Parente comunicou-a ao conselho por cortesia).

Com as estradas bloqueadas em razão da greve dos caminhoneiros, montadoras não conseguiram distribuir ontem veículos para as concessionárias. As transportadoras não estão sequer saindo dos pátios com os veículos.

As empresas têm afirmado abertamente que a greve interrompeu a produção pela falta de peças, mas só algumas admitiram que também tiveram problemas com a distribuição dos veículos já prontos para serem entregues às lojas.

Pressionado por um iminente colapso nos transportes e no abastecimento do País, o governo decidiu bancar o congelamento do preço do diesel em R$ 2,10 até o fim do mandato de Michel Temer. Nos próximos 15 dias, a Petrobrás vai arcar com o custo de R$ 350 milhões para manter a redução de 10% no valor do óleo na refinaria. A partir daí, o Ministério da Fazenda vai estimar a despesa dos 15 dias seguintes e compensar a estatal. Nos meses seguintes, será criado uma espécie de câmara de compensação para manter o preço nesse patamar.

A Petrobrás não vai alterar sua política de preços, que segue acompanhando a variação do petróleo no mercado internacional e o câmbio. Se o preço no mercado externo subir, a Uniãopagará a diferença. Se cair, o Tesouro ficará com crédito para usar nos meses seguintes. A solução encontrada para por fim à greve dos caminhoneiros remete à chamada conta petróleo, que vigorou de 1997 a 2001, para compensar o subsídio ao consumo de combustíveis. (Lu Aiko Otta, Julia Lindner e Fernando Nakagawa)

O "Partido dos Caminhoneiros" conseguiu o que MST, MTST, CUT e partidos de oposição ao governo Temer ameaçaram e não tiveram força para fazer, nem mesmo com a prisão de Lula: paralisar o País. É uma nova força política que pode ser qualquer coisa, menos um movimento de esquerda.

Assim como em junho de 2013, o protesto dos caminhoneiros também teve combustão espontânea, sem partidos por trás ou líderes carismáticos e estridentes. Ambos surgiram de repente, pegando todo mundo de surpresa e jogando o governo contra a parede.

O governo, a Petrobrás e o Congresso atenderam à principal reivindicação dos caminhoneiros em greve, a redução do preço do diesel, mas nem assim esses profissionais aceitaram encerrar o movimento que tem trazido inúmeros e substanciais transtornos a todos os brasileiros. O nome disso é chantageme irresponsabilidade.

Rio Grande do Sul
A prefeitura de Santa Vitória do Palmar, que fica a 500 quilômetros de Porto Alegre, decretou na quinta-feira, 24, estado de calamidade pública devido à greve dos caminhoneiros.

O combustível da cidade foi declarado de utilidade pública para fins de desapropriação. Isso significa que os moradores que tiverem gasolina ou diesel sobrando deverão entregar à administração pública.

Desabastecimento
Chegando ao quinto dia de paralisação, vários setores de prestação de serviços foram afetados pela greve dos caminhoneiros. Em relação aos combustíveis, os postos de todo o País ficaram com estoques reduzidos. O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro) afirmou que os combustíveis poderiam acabarainda na quinta-feira, 24.

De acordo com a Confederação Nacional de Saúde (CNS), os hospitais já sofrem com falta de materiais vitais para a manutenção dos serviços. A Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) também alertou para o desabastecimento de farmáciasde todo o País.

No setor alimentício, supermercadoscomeçaram a limitar a quantidade de itens que podem ser comprados. Na Ceagesp, produtos tiveram forte alta nos preços após a diminuição dos estoques.

Diesel X GasolinaA nova política de preços proposta pelo Governo aos representantes dos caminhoneiros na noite da quinta-feira, 24, diz respeito apenas ao diesel. Com o acordo, o preço do combustível deixa de ser ajustado diariamente e passa a sofrer ajustes apenas a cada 30 dias.

Mas nada mudou no valor da gasolina. Apesar dos constantes aumentos, o valor do combustível não foi discutido durante areunião entre o Governo e os representantes dos movimentos dos caminhoneiros. “Só tratamos de óleo diesel, era pauta de revindicação do movimento”, declarou o ministro Eliseu Padilha.

Brasília
Apesar de o governo ter anunciado o fim do movimento dos caminhoneiros, os líderes da categoria que assinaram o acordo estão reticentes e não asseguram, ao final do longo e tenso dia de reuniões, no Planalto, que seus filiados voltarão ao trabalho, nesta sexta-feira, liberando estradas e voltando a transportar as mercadorias.

“Assumimos o compromisso e vamos repassar ainda hoje, na íntegra, para todos eles. Mas é a categoria que vai analisar e é o entendimento deles é que vai dizer se isso foi suficiente ou não. O que estou dizendo para eles é que chegamos aqui com duas reivindicações e saímos com 14 e houve uma sensibilidade do governo no atendimento às reivindicações”, declarou o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Autônomos (CNTA), Dilmar Bueno, sem querer assegurar em momento algum que a categoria iria voltar às atividades nesta sexta. Saiba mais. (Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo)

Por Economia.estadao.com.br
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