PADRE DO BALÃO: APÓS 10 ANOS, RELIGIOSO AINDA É LEMBRADO

Adelir de Carli morreu após voar preso a mil balões coloridos; projeto social criado por ele é mantido por comunidade em Paranaguá.
O objetivo do padre Adelir de Carli era fazer 20 horas de voo com balões, para divulgar a pastoral que coordenava (Foto: Reprodução/RPC)

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Dez anos após a morte do Padre Adelir de Carli, que fez um voo com mil balões de gás coloridos, a comunidade onde o sacerdote atuava, em Paranaguá, no litoral do Paraná, vai celebrar uma missa para homenageá-lo.

A missa está marcada para esta sexta-feira (20), às 19h30, na Capela Divino Espírito Santo. A capela faz parte da Paróquia São Cristóvão, que era dirigida por padre Adelir.

"Ele ainda é muito lembrado, principalmente pelos atendimentos que fazia aos necessitados", afirma o padre Thiago Alves, que atualmente é pároco da comunidade.

Padre Adelir desapareceu em abril de 2008, ao fazer a viagem com balões. Segundo a Polícia Civil, ele caiu no mar e morreu por hipotermia. O corpo do sacerdote foi levados pela corrente marítima de Santa Catarina até o litoral do Rio de Janeiro.

Após três meses, em 29 de julho de 2008, o corpo dele foi encontrado próximo à costa de Maricá. Depois de 105 dias do início do voo, ele foi sepultado em Ampére, região sudoeste do Paraná, cidade onde morava a família.

Obra do padre
O sacerdote Adelir de Carli foi ordenado em agosto de 2003. Ao assumir a Paróquia de São Cristóvão em 2004, ele criou a Pastoral Rodoviária para evangelizar e prestar apoio aos caminhoneiros que passavam pela BR-277, em Paranaguá.

O projeto passou por dificuldades financeiras após um ano da morte do sacerdote.

Atualmente, o coordenador da pastoral e pároco, Thiago Alves, conta que o objetivo da iniciativa é evangelizar e oferecer acolhimento, com dormitórios, para os caminhoneiros que passam por Paranaguá, além de cursos para a comunidade.

O coordenador da pastoral conta que há obras para a construção de uma cozinha comunitária e espaço para que a comunidade realize eventos.

"Quando cheguei aqui havia um projeto de continuidade dos trabalhos do padre Adelir, mas o que ele tinha planejado era algo muito grande. Adaptamois o projeto e a comunidade toda ajudou a manter a obra", afirma.

De acordo com o pároco, cerca de 200 pessoas trabalham voluntariamente nas atividades da Pastoral Rodoviária e também no dia a dia da paróquia.
Comunidade de Paranaguá celebra missa nesta sexta-feira (20) para homenagear Padre Aderli, morto em um voo com balões (Foto: Divulgação/Pastoral Rodoviária de Paranaguá)

O voo
A viagem de padre Adelir com os balões tinha como objetivo divulgar a Pastoral Rodoviária, fundada por ele, além de pedir ajuda para as ações sociais que desenvolvia no litoral. Ele decolou, em Paranaguá, levado por mil balões.

Equipes de apoio acompanharam o sacerdote por terra e de helicóptero. Ele pretendia voar por 20 horas, até chegar à cidade de Dourados, no Mato Grosso do Sul. Com o tempo no ar, Adelir queria bater o recorde deste tipo de vôo, que era de 19 horas.

Entretanto, o mau tempo fez com que ele fosse desviado da direção pretendida, e o sacerdote foi parar no mar.

Em um dos últimos contatos com a equipe de apoio, Adelir relatou dificuldades para lidar com o GPS.

“Eu preciso entrar em contato com o pessoal para que eles me ensinem a operar o GPS aqui. Para dar as coordenadas de latitude e longitude, que é a única forma de alguém saber onde eu estou”, disse pelo rádio.

Por Letícia Paris, G1 Paraná, Curitiba
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