'JOGADOR Nº 1' HOMENAGEIA GAMES E CULTURA POP - Tube News

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28 março 2018

'JOGADOR Nº 1' HOMENAGEIA GAMES E CULTURA POP

Adaptação do best-seller nerd de 2011 tem ação, diversão e grupo adorável de jovens em história que não se resume à nostalgia dos anos 1980. Filme estreia nesta quinta (29).
Tye Sheridan é Parzival em 'Jogador Nº 1', adaptação para os cinemas do best-seller nerd de 2011 (Foto: Divulgação)
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Steven Spielberg conseguiu dar a volta completa na indústria do entretenimento com "Jogador Nº 1", que estreia nesta quinta-feira (29) no Brasil.

No longa, que acompanha o jovem Wade Watts/Parzival (Tye Sheridan) e seus amigos numa missão para defender o game de realidade virtual Oasis das mãos de uma corporação maligna, o veterano não dirige apenas um ótimo filme de aventura.

Mas um ótimo filme de aventura que tem o alto nível de fantasia, ação, diversão e jovens gente boa das suas histórias clássicas. É que "Jogador Nº 1" é baseado no best-seller nerd de Ernest Cline, que por sua vez celebra vários universos pop dos anos 1980 – dentre eles os de Spielberg.

Os nostálgicos vão amar? Com certeza. Reconhecer a infinidade de referências a filmes, livros e games da época vai virar passatempo para horas. O que torna ele excelente, no entanto, é sua capacidade de não se gabar pela memória boa.

As lembranças piscam na tela para tirar um sorriso do rosto dos atentos, não para excluir quem não tem esse repertório de conhecimento.

"Jogador Nº 1" é um orgasmo nerd, mas um orgasmo democrático, contado em cima de um enredo simples, mas bem escrito, sobre mais um time de adoráveis embarcando numa jornada para salvar o mundo.

"Jogador Nº 1" acontece num futuro distópico onde o lazer de boa parte da população é pegar um par de óculos e mergulhar em Oasis. O game funciona como uma grande realidade paralela onde as pessoas assumem um avatar virtual para conversar, jogar, estudar, entre outras formas de interação.

A treta começa quando morre James Halliday, um dos criadores de Oasis, mas não sem antes deixar um desafio: quem encontrar seus "easter eggs" (um tipo de segredo típico de videogames) escondidos pelo jogo leva a sua fortuna e também o controle sobre Oasis.

Os jogadores que aceitam a missão passam a ser conhecidos como "gunters". Mas quem também está interessado no espólio é a IOI, uma corporação que planeja se aproveitar de Oasis e, com isso, ameaçar a própria existência do jogo.
Halliday (Mark Rylance), à esquerda, desafia os jogadores de Oasis a encontrar seus segredos dentro do game – e com isso conquistar sua fortuna e o controle do próprio jogo (Foto: Divulgação)

"Jogador Nº 1" é, acima de tudo, uma história sobre a defesa da liberdade. Em tempos de crise de privacidade no Facebook, faz sentido. O tempero dessa receita, no entanto, é uma seleção nerd e pop que surge muito bem construída e remixada.

Pense em cenas cheias de figuras e elementos de games, filmes e artistas, mas dirigidas com a noção de começo, meio e fim, de ação, suspiro e emoção, de um cara como Steven Spielberg. As referências estão ali para complementar, não para ser o personagem principal do filme.

Spielberg também consegue conversar a linguagem dos games, fato que historicamente é uma dificuldade para o cinema. Ao invés de simplesmente encenar momentos típicos dos jogos, o veterano de "Jurassic Park" e "Indiana Jones" reproduz os elementos que compõem essa ideia de personagem, fase, desafio, recompensa, etc.

É o caso da cena de corrida, logo nos primeiros momentos de "Jogador Nº 1", mas uma de suas melhores. Ou daquela que reconstrói de maneira surpreendente um clássico do alto escalão do cinema – e que deixou o ator Simon Pegg de boca aberta.

Nesse sentido, "Jogador Nº 1" é uma homenagem a filmes, games e à cultura pop em geral até mais emocionante que em longas como "La la land".

Spielberg e o bom roteiro co-escrito por Ernest Cline estão menos preocupados em celebrar o local e os responsáveis por conceber sonhos hollywoodianos. E mais o impacto que eles causam no imaginário do seu público.

Por Bruno Araujo, G1
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