CONFRONTO NA FRONTEIRA DE GAZA DEIXA MORTOS E CENTENAS DE FERIDOS - Tube News

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30 março 2018

CONFRONTO NA FRONTEIRA DE GAZA DEIXA MORTOS E CENTENAS DE FERIDOS

Confronto durante protestos convocados pelo Hamas deixou 14 palestinos mortos nesta sexta-feira (30). Atos lembram êxodo palestino após criação de estado de Israel.
Palestinos se concentram em local próximo à fronteira com Israel na Faixa de Gaza n primeiro dia da Marcha do Retorno, protesto convocado pelo Hamas (Foto: Mohammed Abed/AFP)

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Um confronto na Faixa de Gaza deixou 14 palestinos mortos e cerca de 1.100 feridos nesta sexta-feira (30), dizem médicos palestinos. Segundo o Exército israelense, o confronto começou quando palestinos se aproximaram da fronteira de Israel. O Ministério de Saúde de Gaza, por sua vez, diz que soldados israelenses atiraram em dois agricultores palestinos da região que transitaram em suas terras antes das manifestações começarem.

O confronto ocorreu no primeiro dia de protestos da chamada "Marcha do Retorno", manifestação contrária à ocupação israelense. Organizada oficialmente pela sociedade civil, a manifestação é apoiada pelo Hamas, o movimento islâmico palestino que governa a Faixa de Gaza.
Palestino ferido é carregado nesta sexta-feira (30) durante confronto na Faixa de Gaza (Foto: AP Photo/Adel Hana)

O Exército israelense disparou bombas de gás lacrimogêneo e outros meios de dispersão. Depois da tentativa da dispersão, vários jovens palestinos atiraram pedras contra soldados israelenses, informa a agência Efe. Após o confronto, o exército de Israel ainda atacou três posições do Hamas, com tanques e aviões.

Segundo a Associted Press, esse foi o dia mais sangrento em Gaza desde a guerra travada na fronteira em 2014.

No protesto, previsto para continuar até o dia 15 de maio, tendas de campanha foram montadas a uma distância de cerca de 700 metros da fronteira, mas os manifestantes palestinos têm realizado demonstrações a cerca de 200 metros do território israelense, diz a agência Efe. Segundo Israel, 30 mil palestinos compareceram aos cinco acampamentos da marcha.
Palestino lança pedra em direção a soldados israelenses nesta sexta-feira (30) durante confronto na Faixa de Gaza (Foto: Adel Hana/AP Photo)

Israel responsabiliza Hamas
Em comunicado, as Forças Armadas de Israel disseram que "manifestantes estão atirando pneus incendiados, coquetéis molotov e pedras contra a cerca de segurança", enquanto as tropas do Exército "respondem com meios de dispersão e atirando contra os principais instigadores".

A nota acrescenta que "a organização terrorista Hamas põe em risco as vidas das pessoas de Gaza e as utiliza para camuflar suas atividades terroristas".

Uma das preocupações de Israel com o movimento de protesto é uma tentativa, espontânea ou não, de forçar a cerca da fronteira.
Drone israelense lança granadas de gás lacrimogêneo na Faixa de Gaza, durante confronto entre palestinos e isralenses (Foto: Mohammed Salem/Reuters)

Hamas responsabiliza soldados israelenses
Ashraf al Qedra, porta-voz do Ministério da Saúde do Hamas em Gaza, disse, por sua vez, que soldados israelenses atiraram em dois camponeses que não estavam presentes no confronto. Eles estavam transitando em suas terras perto da fronteira no sudeste da cidade de Khan Yunis, sendo que um deles, de 27 anos, morreu e o outro ficou ferido.

Os organizadores da marcha afirmam que a manifestação é pacífica e que Israel tenta impedir que ela seja realizada.

"Estamos aqui para declarar que nosso povo não vai concordar em manter o direito ao retorno apenas como um slogan", disse o líder do Hamas, Ismail Haniyeh.

Dia da Terra
A data escolhida pelo Hamas para o início da Marcha do Retorno é simbólica: na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, 30 de março é o Dia da Terra. Ela marca a morte de seis palestinos pelo Exército de Israel em 1976, durante a expropriação de terras no norte do país.

De acordo com o Hamas, a principal reivindicação da Marcha do Retorno é o direito dos palestinos de voltarem para os locais de onde foram removidos após 1948, pela criação do Estado de Israel. Em uma diretriz publicada em 2017, o grupo aceita a solução de dois Estados para o conflito, sob as fronteiras de 1967, mas se recusa a abdicar da luta armada.

Por G1
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