PASTOR FORJA EVENTO PARA VENDER CARRO NA PRAIA E CULPA 'SATANÁS' - Tube News

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15 fevereiro 2018

PASTOR FORJA EVENTO PARA VENDER CARRO NA PRAIA E CULPA 'SATANÁS'

Prefeitura de Guarujá, no litoral de São Paulo, ainda investiga isenção de impostos em local de pregação utilizado pelo pastor como hostel.
Carro que seria vendido pelo pastor foi exposto em evento em praia de Guarujá, SP (Foto: Arquivo Pessoal)

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O pastor Gustavo Reis, da Igreja Luzz, teve equipamentos de som apreendidos depois que a Prefeitura de Guarujá, no litoral de São Paulo, entendeu que ele forjou um evento evangélico para lançar e vender uma réplica de um carro de luxo. Em um vídeo publicado na internet, o religioso se defendeu ao dizer que o ato foi "responsabilidade de Satanás".

O evento, considerado ilegal pela administração municipal, ocorreu durante o carnaval, na Rua das Acácias, em frente à Praia de Pernambuco, área onde localizam-se imóveis de alto padrão e que reúne turistas frequentemente. Ele montou uma tenda, pendurou cartazes e posicionou o automóvel em frente.

Antes da apreensão, o pastor solicitou formalmente autorização à prefeitura para realizar o evento. "Objetivo: reunir cristãos da cidade de Guarujá para comunhão e propagação do evangelho de Cristo Jesus aos moradores e turistas, através do evangelismo e culto", escreveu no ofício.
Divulgação de evento pelo pastor mencionava venda de carro conversível (Foto: Reprodução)

A Secretaria de Cultura da cidade, entretanto, não autorizou a realização do evento, por entender que não se tratava de uma ação de cunho religioso. Mesmo assim, uma força-tarefa montada pela prefeitura, com o apoio da Guarda Municipal e da Polícia Militar, monitorou a divulgação da atividade nas redes sociais.

No dia e local anunciados, o pastor montou e realizou o evento. A equipe da força-tarefa foi ao local pela manhã e o intimou a desmontar a estrutura. "Entretanto, como insistiu, mesmo sendo notificado a não fazer, a prefeitura apreendeu os equipamentos à tarde", afirmou a administração em nota oficial.

No entendimento da equipe de fiscalização, o pastor forjou uma ação religiosa para promover o lançamento e a venda da réplica de um veículo conversível de alto padrão. Ao desobedecer a ordem que o proibia de realizá-lo e, depois, de desmontá-lo, a força-tarefa decidiu apreender os materiais que foram expostos.

Após o ocorrido, o pastor Gustavo Reis publicou um vídeo de quase 20 minutos em uma rede social se defendendo. "A culpa não é de um indivíduo, é de um sistema, da falta de comunicação. E isso o Anticristo, o Satanás utiliza de todas as maneiras para colocar as pessoas umas contra as outras", justificou.

Segundo o pastor, o evento "seria uma benção às pessoas". "Distribuimos livros de graça. A nossa intenção era levar os livros. Quanto mais vidas nós pudermos atingir, melhor", explicou em outro trecho. A publicação, escrita por ele, também era anunciada no material de divulgação espalhado antes da ação.

Isenção

Por meio de comunicado, a Prefeitura de Guarujá ainda informou que vai abrir uma investigação interna a fim de averiguar se está ocorrendo infração fiscal em um imóvel utilizado pelo pastor como pousada. A suspeita é de que o imóvel esteja isento de IPTU e outras taxas municipais por ser uma igreja evangélica.

Anteriormente ao evento de lançamento do carro, a força-tarefa da administração municipal esteve no imóvel após a Ouvidoria receber "inúmeras reclamações de vizinhos devido a perturbação de sossego público". Na ocasião, foi constatado um evento com som, e o pastor foi orientado a não realizar novas ações do tipo.

Outro lado

O pastor Gustavo Reis afirmou que o evento que ele promoveu foi "mal interpretado" pelas autoridades de Guarujá. "Não houve venda de carro nenhum. Aquele carro era de exposição, é um boneco, justamente para chamar a atenção das pessoas para o evangelho que estávamos pregando", afirmou.

O pastor admitiu ser responsável pela venda e produção do veículo, e lamentou a atitude da prefeitura em não autorizar a realização da ação de cunho religioso. Sobre a pousada que mantém, ele explicou que são dois terrenos, divididos por um muro, mas para a área paga somente um IPTU. "A pousada não tem nada a ver com a igreja. Cada um tem o seu CNPJ", disse.

Por José Claudio Pimentel, G1 Santos
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