DISCIPLINA 'GOLPE DE 2016' JÁ TEM LISTA DE ESPERA NA UnB

Segundo sistema da universidade, 40 pessoas aguardam vaga na disciplina, que já teve seus 50 lugares preenchidos.
(Foto: FELIPE MENEZES/METRÓPOLES)


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A disciplina Tópicos Especiais em Ciência Política 4: O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil, ofertada pelo professor Luís Felipe Miguel, está lotada e já tem lista de espera. De acordo com o sistema da Universidade de Brasília (UnB), 40 estudantes aguardam desistência para cursar a matéria. O semestre letivo começará no dia 5 de março.

De acordo com a ementa, ao longo do curso, os estudantes entenderão “os elementos de fragilidade do sistema político brasileiro que permitiram a ruptura democrática de maio e agosto de 2016, com a deposição da presidente Dilma Rousseff (PT)”. Além disso, a matéria pretende analisar o governo presidido por Michel Temer (MDB/SP) e “investigar o que sua agenda de retrocesso nos direitos e restrição às liberdades diz sobre a relação entre as desigualdades sociais e o sistema político no Brasil”.
REPRODUÇÃO/UNB


A proposta da disciplina provocou turbulência no meio político. O Ministério da Educação (MEC) pediu que o Ministério Público Federal investigue a matéria. A pasta também encaminhou a mesma solicitação à Advocacia-Geral da União (AGU), ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Controladoria-Geral da União (CGU). O objetivo, segundo o MEC, é apurar se houve ou não improbidade administrativa.

O ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM/PE), lamentou, por meio de nota, “que uma instituição respeitada e importante como a Universidade de Brasília adote uma prática de apropriação do bem público para promoção de pensamentos político-partidários”. “A disciplina tem indicativos de ter sido criada exclusivamente para militância partidária”, completou.

A iniciativa do MEC gerou uma reação nos partidos da oposição. O PSol do Distrito Federal protocolou, na tarde desta sexta-feira (23/2), uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Mendonça Filho. A sigla acusa o titular da pasta de “utilizar as prerrogativas do cargo para intimidar e ameaçar” um professor da UnB.

Universidade

Em nota, a Universidade de Brasília afirmou que a proposta de criação de disciplinas, bem como suas respectivas ementas, é de responsabilidade das unidades acadêmicas que têm autonomia para propor e aprovar conteúdos em seus órgãos colegiados.

“Além disso, a referida disciplina é facultativa, não integrando a grade obrigatória de nenhum curso. A UnB reitera seu compromisso com a liberdade de expressão e opinião – valores fundamentais para as universidades, que são espaços, por excelência, para o debate de ideias em um Estado democrático”, completou a universidade.


Por Liana Costa, do site Metrópoles
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