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01 janeiro 2018

DORIA CHAMA DE 'INJUSTA HOMENAGEM' VIADUTO COM NOME DE MARISA LETÍCIA

Prefeito cancelou evento de inauguração. Assessoria de Lula disse que Doria deveria 'se abster de usar recursos públicos para desrespeitar pessoas falecidas'.
Retrato da ex-primeira-dama Marisa Leticia Lula da Silva durante a inauguração da "Cidade da TV", em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. (Foto: Leonardo Soares/Agência Estado)

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A Prefeitura de São Paulo informou que o prefeito João Doria classifica como “injusta homenagem” a nomeação de um viaduto no extremo da Zona Sul da cidade com o nome da ex-primeira dama Marisa Letícia, morta em fevereiro deste ano em razão de um acidente vascular cerebral.

Procurada, a assessoria de imprensa do ex-presidente Lula disse que "o prefeito João Dória deveria se dedicar a governar a cidade São Paulo e se abster de usar recursos públicos para desrespeitar pessoas falecidas".

O projeto de lei foi sancionado na sexta-feira (29) pelo prefeito em exercício, Milton Leite. O viaduto começa na Estrada do M’Boi Mirim e termina na confluência da avenida Luiz Gushiken – outro nome ligado ao PT, ex-deputado federal e ex-ministro, morto em 2013 – com a rua Adilson Brito.

Em nota, a prefeitura diz que, por determinação de Doria, o evento de inauguração do viaduto – previsto para 3 de janeiro - foi cancelado. A via será aberta ao trânsito, sem solenidades, nesta terça-feira (2). “A Prefeitura esclarece ainda que a escolha do nome do viaduto é prerrogativa da Câmara Municipal e fruto de um acordo entre a maioria dos vereadores — e apenas por isso respeitado pela administração municipal”.

O texto da nota diz ainda que o prefeito não concorda com a nomeação de alguém que seria “envolvido no maior escândalo de corrupção já registrado no país e que nunca morou na cidade nem jamais lhe trouxe qualquer benefício”.

A assessoria de Lula disse que Marisa Letícia “sempre agiu dentro da lei e a favor do Brasil, tendo trabalhado a vida inteira como empregada doméstica, operária e mãe, jamais tendo cometido qualquer crime em toda a sua vida. Jamais ocupou qualquer cargo público e sempre agiu para elevar o nome do país como primeira-dama. Foi acusada apenas e tão somente pelo objetivo político de atingir o ex-presidente com uma acusação absurda para tentar impedi-lo de continuar suas atividades políticas”.

Homenagem foi aprovada após local ser alterado

Assinado pela bancada do PT, o PL só foi aprovado na Câmara Municipal após o local da homenagem ser alterado. O projeto ficou parado por quase nove meses em razão da resistência de demais vereadores.

Na épooca, moradores do bairro pressionaram contra a aprovação do projeto porque não queriam a homenagem a Marisa Letícia em uma via de destaque da Chácara Santo Antônio.

O texto original, aprovado em primeira votação em março, previa a homenagem na Chácara Santo Antônio, bairro nobre da capital. O nome da mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seria dado ao prolongamento da Avenida Chucri Zaidan.

O presidente da Casa, Milton Leite (DEM), e o vereador Reis (PT) apresentaram um substitutivo que prevê que o nome de Marisa Letícia será dado ao viaduto que se inicia na Estrada do M’Boi Mirim e termina na confluência da avenida Luiz Gushiken – outro nome ligado ao PT, ex-deputado federal e ex-ministro, morto em 2013 – com a rua Adilson Brito.

O projeto de lei foi aprovado no dia 12 de dezembro de forma simbólica pelos vereadores – sem votação nominal – e seguiu para sanção do prefeito João Doria (PSDB).

Na justificativa do projeto, os vereadores lembraram que Marisa Letícia liderou a Passeata das Mulheres, em 1980, em protesto pela liberdade de sindicalistas presos à época, entre eles Lula, e que foi primeira-dama durante oito anos.

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