CRÍTICA | THE CROWN 2ª TEMPORADA - Tube News

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08 dezembro 2017

CRÍTICA | THE CROWN 2ª TEMPORADA

O Reino não está mais tão unido na 2ª temporada de The Crown.
(Foto: Divulgação/Netflix)

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À medida em que o reinado da Rainha Elizabeth II avança na reta final década de 50, o mundo passa por grandes mudanças políticas, econômicas e sociais que colidem diretamente com a trajetória da monarca. Optando por iniciar a temporada com uma grande crise, Peter Morgan – uma das maiores autoridades de conhecimento sobre a família real britânica – utilizou fatos históricos relevantes para retratar a evolução da Rainha, que aqui está mais segura, decidida e comedida, num trabalho impecável de Claire Foy.

A temporada evidencia, ainda, a constante necessidade de ruptura de certas tradições e a imperiosa necessidade do governo britânico de se modernizar, pois os ideais retrógrados e conservadores começam a perder força e apoio popular, agravado ainda mais pelo distanciamento da regente sobre os seus “súditos” e, em especial, sobre os países que a Grã-Bretanha controla.

Por isso, o mimado e indiscreto Phillip (Matt Smith) roda o mundo numa espécie de Tour Real com direito a muitas indiscrições a cada aportada, enfraquecendo ainda mais o já frágil governo, que também sofre com a instabilidade parlamentar, escândalos românticos e sexuais e, talvez o mais grave deles, a descoberta de associação do antigo Rei Edward VIII com uma turminha não muito, digamos, “do bem” (não darei spoilers).

Apesar de longos, cada episódio dessa 2ª temporada é delicioso de assistir graças ao elevado nível da produção, que nos transporta décadas no passado como se os produtores tivessem uma máquina do tempo (quando na verdade é um misto de cenografia e efeitos visuais caprichadíssimos). Além disso, Peter Morgan teve a sábia decisão de – em momentos-chave da série – trazer ao final de cada capítulo fotos, vídeos e documentos dos personagens reais, a estilo de Narcos. Esse é um recurso narrativo que ajudaria a evidenciar a precisão histórica da série e o excelente trabalho de pesquisa do historiador e amigo pessoal da família Real.

Por falar em conflitos, a temporada entra em sua reta final evidenciando um confronto que o mundo não conhecia: a breve rivalidade entre Elizabeth e a 1ª dama dos EUA Jackie Kennedy, aqui interpretada pela ótima Jodi Balfour, e que mostrou à Rainha a necessidade de ser mais ousada politicamente e menos como um enfeite caro (culminando em sua icônica e instrumental visita ao Sudão). Aliás, o capítulo da recepção dos Kennedy (que logo após sofreram com o atentado) só não é perfeito graças à terrível caracterização de Michael C. Hall como JFK. Ele é um ótimo ator, mas sua versão do ex-presidente norte-americano simplesmente não funcionou por conta do sotaque forte e do excesso de maneirismos.

Intensa, envolvente e em muitos momentos surpreendente – inclusive com o destaque dado à sempre divertida Margareth de Vanessa Kirby e seu atribulado casamento -, essa 2ª temporada de The Crown é uma das melhores estreias deste ano já no fim e uma série que comenta o atual momento de polarização política do mundo através de exemplos e contra-exemplos. Nos despedimos aqui da brilhante Claire Foy e aguardamos a chegada da talentosa Olivia Colman para assumir o encargo de levar essa grandiosa história adiante a partir do 3º ano.

É uma belíssima série.

Por Bruno Carvalho, do Ligado Em Série
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