MEL GIBSON: "ESTOU SURPRESO QUE HOLLYWOOD TENHA ME ACEITO NOVAMENTE - Tube News

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27 novembro 2017

MEL GIBSON: "ESTOU SURPRESO QUE HOLLYWOOD TENHA ME ACEITO NOVAMENTE

“Fiquei cavando uma vala nos últimos 10 anos. Francamente, foi muito trabalho pessoal e profissional”, diz o ator e diretor.

Mel Gibson, na estreia de ‘Pai em Dose Dupla 2’.  WIREIMAGE

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Há uma década, Mel Gibson parecia que iria cair em desgraça e nunca mais trabalharia em Hollywood. O ator e diretor não deixava de protagonizar polêmicas que ocupavam manchetes nos meios de comunicação de todo o mundo. Na década de noventa, fez comentários homofóbicos e foi preso por dirigir bêbado, também lançou ataques contra os judeus depois de ter sido preso por dirigir sob efeito de álcool em 2006 e mais tarde chegou a ameaçar um crítico que não gostou do seu filme. E o pior de tudo, em uma mensagem de voz que o ator deixou à ex-namorada em 2010, ele se retratou como misógino violento e racista, um homem que quebrou dois dentes da pianista russa Oksana Grigorieva enquanto segurava a filha do casal nos braços. Por tudo isso, não é estranho que Gibson tenha se declarado “surpreso” que agora a indústria de Hollywood voltou a aceita-lo.

“Estou surpreso, pois estive cavando uma vala nos últimos 10 anos. Francamente, foi muito trabalho pessoal e profissional, e o trabalho continua como acho que acontece com a maioria de nós”, comenta Gibson sobre como Hollywood acabou perdoando suas polêmicas tão divulgadas, por exemplo, aquela em que acusou os judeus de serem culpados de todas as guerras do mundo, o que lhe valeu ser abandonado por estúdios, agentes, publicitários e inclusive por muitos de seus seguidores. “Eu estava bêbado, furioso e preso. Fui gravado ilegalmente por um policial sem escrúpulos que nunca foi processado por esse crime. E logo ele tornou pública a gravação para seu próprio benefício e dos membros de... bem, chame-os de imprensa. Então não foi justo. Acho que por causa de ser quem sou não me é permitido ter um ataque de nervos, nunca”, diz Gibson no programa The Graham Norton Show.

O ator de 61 anos e dono de um Oscar, também diz no programa da BBC, que foi transmitido na noite de sexta-feira, que nunca cogitou deixar a vida pública, apesar de alguns incidentes que poderiam ter acabado facilmente com sua carreira. “Você escolhe uma carreira porque tem uma vocação, especialmente em relação à direção, e você simplesmente tem que se levantar e se expressar por meio das histórias que conta. Isso nunca desapareceu. Durante esses anos, escrevi e concebi histórias”, diz agora ao apresentar Pai em Dose Dupla 2, no qual divide a tela com Will Farrell e Mark Wahlberg, cujo primeiro dia nos cinemas dos Estados Unidos rendeu mais de 10 milhões de dólares.

Na entrevista, Gibson também agradece aos atores Jodie Foster, Danny Glover e Whoopi Goldberg por terem permanecido amigos “fiéis” ao longo dos anos; eles estavam entre os poucos que até recentemente ousavam falar bem dele em público. Embora seja verdade que Gibson experimenta o favor da indústria desde o ano passado, quando seu filme Até o Último Homem recebeu seis indicações no Oscar (entre elas a de melhor diretor pelo primeiro filme que dirigiu em 10 anos).

Essas declarações acontecem quando a indústria lida com os escândalos sexuais do produtor Harvey Weinstein e do ator Kevin Spacey, algo sobre o qual Gibson também se pronunciou recentemente. Para o ator, diretor e produtor, a onda de denúncias de assédio e abuso sexual é positiva: “As coisas vão se agitar um pouco e haverá muita luz nos lugares onde havia sombras, e isso será saudável”. “É doloroso, mas acho que a dor é precursora da mudança”, acrescentou sobre algo que ele mesmo experimentou, embora talvez em uma época em que a indústria de Hollywood estava mais habituada a olhar para o outro lado diante das atitudes mais reprováveis.

Por El País
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