TERROR EM GOIÂNIA: COORDENADORA CONTA DETALHES DA TRAGÉDIA - Tube News

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22 outubro 2017

TERROR EM GOIÂNIA: COORDENADORA CONTA DETALHES DA TRAGÉDIA

Dois alunos morreram e mais quatro ficaram feridos durante ataque em colégio de Goiânia.

Simone Maulaz Elteto, coordenadora Colégio Goyases, Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução/ TV Globo)



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A coordenadora que convenceu o adolescente de 14 anos a parar de atirar contra a turma disse que não teve medo de abordar o aluno no Colégio Goyases, em Goiânia, e pediu calma ao estudante. Ao sair da sala junto com ele, Simone Maulaz Elteto revelou que o menino chegou a colocar a arma no corpo dela. Os tiros que ele já havia disparado causaram a morte de dois colegas e deixaram outros quatro feridos.

“Ele ficou com a arma posicionada no meu abdômen, a mão direita eu coloquei no ombro dele e a mão esquerda eu fui empurrando devagar a arma pro fundo da parede, em direção a uma sala que eu sabia que estava sem alunos”, contou Simone Maulaz Elteto.


João Pedro Calembo (à esquerda) e João Vitor Gomes foram mortos a tiros durante ataque (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)


De acordo com Simone, ela ouviu o primeiro disparo e correu para ver o que estava acontecendo na sala do 8º ano, que fica no terceiro andar do colégio.

“As crianças estavam correndo, descendo as escadas e gritando que o aluno tinha ficado louco e estava atirando em todo mundo”, contou.

Ao chegar à sala, a coordenadora tirou uma aluna de entro para evitar que fosse alvo de mais tiros.

“Eu ouvi primeiro a Marcela. Ela estava ferida. Eu tirei ela da mira, de onde ele pudesse alvejá-la novamente, entreguei ela para a professora e pedi que ligassem pra polícia. Ai fui até a sala, quando eu entrei, vi os alunos João Pedro, João Vitor e Isadora caídos feridos, e muito sangue. E ele [atirador]”, detalhou.

Como convenceu o aluno
Após tirar a estudante ferida da sala, Simone se aproximou do atirador.



"Me aproximei dele, não tive medo, coloquei a mão no ombro dele, perguntei: 'O que houve, tá tudo bem?' Ele tava um pouco alterado", contou.

Em seguida, o adolescente atirou novamente.

"Ele deu um tiro pra trás da sala, para a parede. Aí eu falei: 'Fica calmo, me dá a arma, entrega pra mim'. Ele não quis e ele falou quero que chame meu pai. Eu disse: 'Já chamei seu pai, fique tranquilo, confie em mim, nós vamos resolver isso'", relatou Simone.

Receio de mais tiros
A coordenadora saiu junto com o aluno em direção à biblioteca.

"Chegando no corredor, eu fiquei com muito medo de ele entrar nas salas onde tinham outros alunos. Eu tinha que impedi-lo", disse, emocionada.

Para evitar que mais alunos se ferissem, Simone conta que se posicionou à frente dele e voltou a pedir calma e que lhe entregasse a arma, o que negou. Logo depois ela conseguiu segurar a mão dele com as duas mãos.

"Aí nos descemos as escadas, eu sabia que tinha pais de alunos, alunos, funcionários no térreo da escola. Na minha cabeça, eu sabia que tinha muita gente lá e não podia levar ele pra lá. Eu levei ele pra biblioteca, sempre segurando", detalhou.

Atentado
O crime aconteceu na manhã de sexta-feira (20) em uma sala de aula do 8º ano do Colégio Goyases, no Conjunto Riviera, em Goiânia. Os disparos aconteceram no disparo entre duas aulas.

Segundo o delegado Luiz Gonzaga Júnior, responsável pelo caso, o autor dos disparos disse que sofria bullying de um colega e, inspirado em massacres como o de Columbine, nos Estados Unidos, e de Realengo, no Rio de Janeiro, decidiu cometer o crime. Filho de policiais militares, ele pegou a pistola .40 da mãe e a levou para a unidade educacional dentro da mochila.

Além de João Vitor, os tiros causaram a morte de João Pedro Calembo, também de 13 anos, e deixaram outros quatros colegas baleados. Um deles, Hyago Marques, recebeu alta neste domingo e já se recupera em casa, mas outros três continuam internados.



Por Paula Resende, Do G1 GO com informações do Fantástico
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