INSTALAÇÕES DO CRESCENTE VERMELHO FICAM DESTRUÍDAS NA SOMÁLIA - Tube News

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24 outubro 2017

INSTALAÇÕES DO CRESCENTE VERMELHO FICAM DESTRUÍDAS NA SOMÁLIA

Ataque deixou 358 mortos e centenas de feridos. Capital da Somália tenta retomar normalidade uma semana após o ataque.

Soldado somali e outro homem ajudam ferido por explosão de caminhão-bomba na capital da Somália, no dia 14 de outubro (Foto: Associated Press/AP)


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Pouco mais de uma semana após o atentado que deixou 358 mortos e centenas de feridos, Mogadíscio, capital da Somália, tenta retomar a normalidade.

Além do enorme dano causado às vítimas e suas famílias, o atentado destruiu prédios da capital, entre eles o escritório do Crescente Vermelho somali, que foi severamente danificado. Duas ambulâncias da organização também foram totalmente destruídas. As imagens do vídeo acima mostram como a estrutura do prédio veio abaixo.

Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), organização que trabalha em conjunto com o Crescente Vermelho na Somália, cinco voluntários somalis que trabalhavam para a organização morreram no ataque.

"Isso não impediu os nossos outros 38 voluntários de demonstrarem incrível coragem", descreve Layal Horanieh, coordenadora de comunicação do CICV na Somália.

Ela conta que o atentado afetou toda a equipe.


"Todos os profissionais do Crescente Vermelho sofreram direta ou indiretamente com o atentado, com parentes mortos, feridos ou ainda desaparecidos", explica Horanieh.


Na capital, o trabalho da equipe do CICV e do Crescente, nos últimos dias, consistiu basicamente em prestar socorro aos feridos e garantir que os mortos no atentado fossem "identificados e enterrados com dignidade". Segundo Horanieh, as instalações devem ser reconstruídas nas próximas "semanas ou dias", com a ajuda internacional da organização.

No sábado, 14 de outubro, o ataque envolvendo dois veículos-bomba devastou uma movimentada área no centro de Mogadíscio, a capital da Somália. Um caminhão com mais de 300 kg de explosivos foi detonado num posto de controle numa área movimentada da cidade e provocou o incêndio de um caminhão de combustível.

Segundo as informações divulgadas pelo ministro da Informação do país, Abdirahman Osman, 56 pessoas seguem desaparecidas após o ataque. De acordo com autoridades citadas pela Reuters, pelo menos metade dos mortos na tragédia não pode ser identificada, por conta da severidade das queimaduras que sofreram.

Segurança dos trabalhadores humanitários
Um dos países com mais ataques terroristas do mundo, a Somália é considerada um terreno inseguro, inclusive para trabalhadores humanitários. A organização Médicos sem Fronteiras ficou quase quatro anos sem operar no país, por considerar impossível garantir a segurança de sua equipe.

Em junho desde ano, as atividades foram retomadas na região da Puntlândia, em colaboração com o Ministério da Saúde da Somália. "Por conta de experiências passadas, o retorno do Médicos sem Fronteiras para a Somália é cauteloso e modesto", explica a organização.

Com nove bases espalhadas pela Somália, o CICV conta com 200 funcionários nativos e 50 estrangeiros. Apenas em 2017, o CICV e o Crescente vermelho fizeram 1,7 milhão de atendimentos no país.

O protocolo de segurança adotado pelo CICV, no entanto, é bastante rígido, conforme explica Horanieh.


"A Somália é o único país, entre 80, no qual equipes do CICV se deslocam com escolta armada. Além disso, nossas medidas de segurança nos impõem contato regular, para negociar movimentação livre, com todos os grupos armados em vários locais".


Os integrantes do CICV que não têm nacionalidade somali ficam baseados em Nairobi, no Quênia, e se deslocam ao país uma vez por semana. "É a única forma possível de trabalhar. Não é perfeita, mas pelo menos estamos em campo para apoiar o time nacional, que trabalha lá em tempo integral", explica.

Pessoas feridas em explosões aguardam para embarcar em um avião militar turco no aeroporto internacional Aden Abdulle em Mogadishu (Foto: Feisal Omar/Reuters)

Onda de solidariedade
Apesar do trauma, que vai durar por anos, a resiliência do povo somali mostra que, aos poucos, as coisas se encaminham para voltar ao normal.

"A situação agora está sob controle. De 300 pacientes que deram entrada em hospitais [segundo dados do CICV], dois terços já foram liberados, e os outros recebem tratamento médico no exterior", explica Horanieh, sobre feridos que foram levados para outros países, como a Turquia, Sudão e Quênia.


De acordo com dados oficiais publicados na semana passada, 228 pessoas ficaram feridas, e 122 foram levadas para fora do país.


Os hospitais da capital somali, segundo ela, estão bem equipados graças às doações de medicamentos e suprimentos recebidos. Horanieh também observa uma onda de solidariedade da população de Mogadíscio, que doou sangue para os feridos. "Os hospitais somalis estão totalmente equipados e capacitados para tratar os feridos que seguem internados atualmente".

O ataque deste mês foi o mais mortal no país desde que o grupo militante islâmico al Shabaab iniciou o processo de insurgência, em 2007. O grupo não assumiu a responsabilidade pelo atentado, mas o governo afirma que o ataque foi organizado pela organização, ligada à Al Qaeda.

Texto de Gabriela Bazzo, G1
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