CRÍTICA GAME OF THRONES 7X04: THE SPOILS OF WAR - Tube News

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06 agosto 2017

CRÍTICA GAME OF THRONES 7X04: THE SPOILS OF WAR

Drogon ataca arpão gigante que Bron usou para atacá-lo (Foto: Reprodução/HBO)





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Se nas temporadas anteriores de Game of Thrones, o grande clímax do episódio ficava reservado para o nono episódio, dessa vez os showrunners David Benioff e D.B. Weiss decidiram já incluir uma ambiciosa sequência de batalha já no episódio 4. Os tempos (e o orçamento) finalmente mudaram.

Escrito por D&D e dirigido por Matt Shakman (mais conhecido pelo seu trabalho na comédia It’s Always Sunny in Philadelphia, e que com certeza receberá uma indicação ao Emmy de Melhor Diretor depois dessa noite), “The Spoils of War” (“Os Espólios da Guerra”) encerrou-se com uma batalha que tem muitas similaridades com o Massacre de Hardhome na quinta temporada. Em ambos os casos, é uma emboscada inesperada pelas “vítimas” em questão (Jon e os selvagens em Hardhome, Jaime e os Lannisters aqui), e também pelos espectadores, que não esperavam ver algo tão grandioso ainda tão cedo na narrativa.

Mas além disso, ambas as cenas começam de maneira idêntica: as “vítimas” da cilada percebem aterrorizadas que algo está muito errado: em Hardhome, isso ocorre ao verem cães latindo e uma névoa aproximando-se velozmente. Na Campina, os Lannisters escutam os sons do exército Dothraki chegando. Em ambas as situações, não vemos os inimigos por um longo período de tempo, um recurso clássico da narrativa de suspense muito bem utilizado (tememos aquilo que não vemos e conhecemos).

Há contudo uma diferença primordial em comparação com batalhas anteriormente vistas na série: em Hardhome, era um embate dos humanos contra os Outros, um caso clássico de “bem contra o mal”. Na Batalha de Castelo Negro, Ygritte e Tormund podiam ter suas virtudes, mas nunca tinham sido tão bem desenvolvidos a ponto de nos fazer lamentar muito os seus possíveis desfechos trágicos (ao menos não naquela altura da narrativa), ao passo que as baixas da Patrulha da Noite também envolvia personagens secundários cujo papel limitava-se ao de red shirt. E não preciso nem dizer sobre a Batalha dos Bastardos, onde torcíamos desesperadamente para os Starks acabarem com a tirania de Ramsay Bolton. A única batalha na qual tínhamos realmente apreço por ambos os lados foi em Blackwater (Tyrion e Sansa de um lado, Stannis e Davos do outro).

Mas em “The Spoils of War“, o espectador se simpatiza pelos personagens de ambas as facções: Daenerys e Tyrion são um caso óbvio, mas Jaime e Bronn, mesmo com todas suas imensas falhas de caráter, ainda assim estão longe de serem “vilões” no sentido literal da palavra e não queremos que eles morram. Inclusive, eu fiquei surpreso ao constatar o quanto eu realmente apreciava Bronn ao temer pela sua vida no plano-contínuo no qual ele corre desesperado pelo campo de batalha para alcançar a balestra (um momento bacana que foi obviamente inspirado numa cena similar envolvendo Jon na Batalha dos Bastardos). E se Randyll Tarly é um babaca sem salvação, ao menos é interessante ver que os roteiristas encontraram um breve momento para humanizar o personagem de Dickon (que nomezinho…), sobre o qual não conhecíamos quase nada.

Foi realmente uma sequência eletrizante que conseguiu ser superior à muitas batalhas vistas recentemente no cinema (O Hobbit, Warcraft etc.), repleta de momentos memoráveis: desde os soldados Lannisters sendo brutalmente queimados até tornarem-se cinzas em questão de segundos, às acrobacias impressionantes dos Dothraki em seus cavalos, passando pelo olhar aterrorizado de Tyrion ao ver os servos da sua casa sendo mortos pela sua Rainha, até a cavalgada final de Jaime contra Drogon.

Apenas lamento que os roteiristas tenham optado por encerrar o episódio com um cliffhanger tão barato: é óbvio que Jaime não morrerá afogado. Não seria interessante do ponto de vista dramático que ele morresse sem ter ao menos um confronto verbal com Tyrion e Daenerys. Além disso, para uma produção tão conhecida por livrar-se impiedosamente de seus personagens, é muito estranho que nenhum personagem popular tenha perdido sua vida dessa vez. Além disso, o início do episódio já estabelece que o ouro roubado dos Tyrells chegou intacto à Porto Real, o que significa que Cersei pode facilmente repor esse exército destruído (e ela até ressalta isso na sua conversa com Tycho Nestoris).

O retorno de Arya e seu reencontro com os Stark sobreviventes finalmente ocorreu, e ainda que tenha soado muito apressada, ao menos valeu pelas belas performances de Maisie Williams e Sophie Turner (já Isaac Hempestead-Wright está bem estranho nas tentativas de mostrar essa vibe desinteressada de Bran). Sansa e Arya nunca foram as irmãs mais devotadas uma à outra, mas após as terríveis jornadas que passaram nos últimos sete anos, elas parecem ter finalmente percebido o quanto se amavam. E se Mindinho parece ter perdido toda função ou propósito na trama, limitando-se a levar coices dos Starks e observá-los a distância com seu sorriso maligno, ao menos ele trouxe de volta a adaga de aço valiriano que foi utilizada no atentado contra Bran (uma trama da primeira temporada que tinha sido esquecido e que eu jurava que os roteiristas não iriam mais resgatar para a série).

Já Meera Reed, ao que tudo indica, se despediu da série com uma nota amarga, ao perceber que o seu amigo “morreu na caverna”. Também tivemos uma cena de treinamento entre Arya e Brienne bem coreografada e montada, ainda que eu questione se a espada Agulha de Arya deveria resistir ao peso e impacto da espada de aço valiriano de Brienne.

E em Pedra do Dragão, antes da batalha, Jon parece ter conseguido convencer Daenerys de que a ameaça dos Outros é real, ainda que isso não a impeça de persistir na sua campanha contra o Sul e exigir que Jon desista da sua coroa. Fechando um olho para a conveniência daqueles desenhos na caverna feitos pelas Crianças da Floresta estarem ali, também não há mais como negar que a série está criando um clima romântico entre os dois protagonistas. Não questiono a lógica disso, porque para mim, faz sentido que esses dois líderes, que tem muito mais em comum do que queira admitir, se interessam um pelo outro, ao menos sexualmente. Por outro lado, há todo a questão incestuosa, e me questiono para onde os roteiristas querem caminhar com isso… Será que eles querem tornar Jon e Daenerys um casal apenas para tornar a revelação pública dos pais de Jon mais chocante?

Para encerrar, tivemos também o encontro entre Jon e Theon, que apesar de ter sido tão rápido e apressado quanto muita coisa nessa temporada, ainda assim foi eficiente ao estabelecer a tensão entre os ex-amigos. A traição de Theon em Winterfell pode até ter sido perdoada pelo seu papel no resgate de Sansa, mas com certeza não foi esquecida.

Apesar desses problemas, ainda assim foi um episódio excepcional. Resta apenas saber o que foi reservado para os três episódios finais dessa temporada. Tenho fé que será algo inesquecível.


Por Allan Verissimo, do Ligado Em Série
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