CRÍTICA GAME OF THRONES 7x07: DRAGON AND THE WOLF - Tube News

@otubenews

29 agosto 2017

CRÍTICA GAME OF THRONES 7x07: DRAGON AND THE WOLF

Chegamos ao final de mais uma temporada de Game of Thrones – provavelmente, a mais polêmica entre a crítica e os fãs. 

Jon Snow/Aegon Targaryen e Daenerys Targaryen

Tube News
Após um episódio visualmente espetacular, mas com um roteiro que dependia de conveniências para mover a trama, o sétimo ano do drama da HBO encerrou-se com um episódio que retorna para a suas raízes, menos focado no espetáculo e mais naquilo que a série sabe fazer de melhor: as interações entre os seus fascinantes personagens e os jogos políticos.

Escrito pelos showrunners David Benioff e D.B. Weiss e dirigido por Jeremy Posdewa, “The Dragon and the Wolf” (“O Dragão e o Lobo”) iniciou-se com uma sequência que ocupou metade do episódio (o mais longo da série, com 79 minutos) e trouxe a esperada reunião de dezenas de personagens principais no Fosso dos Dragões. 

A impressão que ficou é a de que todas as longas conversas que estavam fazendo falta nos episódios anteriores foram reservadas para este. Mas nesse caso, o foco principal do roteiro nos diálogos trouxe muito mais benefícios do que problemas no ritmo.

Jon Snow/Aegon Targaryen e Tyrion Lannister

É realmente difícil escolher um momento favorito nessa sequência: começando pelo reencontro amável de Tyrion com seus ex-parceiros Podrick e Bronn, de Sandor com Brienne e o irmão Montanha, Brienne e Jaime (para os ciúmes de Cersei, numa divertida cena não-verbal), passando pela entrada triunfal de Daenerys em seus dragões, culminando na revelação do morto-vivo. 

Por alguns instantes, pareceu que a honra (burrice) de Jon iria arruinar tudo e tornar esse primeiro ato do finale um desperdício de tempo, mas isso resultou num belo confronto entre Tyrion e Cersei que os espectadores esperavam há muito tempo. Peter Dinklage e Lena Headey entregaram as melhores atuações de toda a temporada ao relembrarem as trágicas consequências das suas ações com dor e amargura, o que deve resultar na Emmy Tape de ambos no ano que vem.

Cersei Lannister e Jamie Lannister

Era óbvio que Cersei não iria cumprir a sua palavra, e os roteiristas não demoraram para revelar a verdadeira intenção da Rainha. É natural que a personagem esteja tão desequilibrada mentalmente a ponto de não perceber o quão aterrorizante é a ameaça dos Outros para Westeros, e seria forçado ver a personagem mais vilanesca da história deixar as diferenças de lado para ajudar os heróis. 

Jaime, porém, é um caso diferente. Após anos servindo apenas como capacho da irmã, finalmente ele tomou um último choque de realidade e decidiu abandoná-la, apesar do filho que esperam. 

A cena na qual ela o ameaça com o Montanha foi mais um dos grandes momentos que a série pode nos proporcionar, pois era realmente possível que esse seria o fim de Jaime, e de uma maneira ainda pior do que a sua cavalgada contra o dragão. O detalhe da neve finalmente chegar em Porto Real após o rompimento dos dois também foi marcante. 

Resta apenas saber qual será a função de Cersei (e da Companhia Dourada, o grupo de mercenários de Essos que ela contratará) na temporada final: será que planejam deixá-la por último, mesmo após a guerra contra os Outros?

O mesmo pode ser dito sobre a trama de Theon. A conversa dele com Jon Snow, na qual ele finalmente consegue o seu perdão e a sua confirmação como “Greyjoy e Stark” foi belíssima, culminando no arco de redenção que o personagem necessitava desesperadamente desde a segunda temporada.

Theon Greyjoy


Em contrapartida, os roteiristas brilharam na conclusão do arco de Winterfell, que era considerado o mais problemático da temporada. Isso significa que Arya e Sansa personagens não regrediram em seu desenvolvimento. 

O que importa, contudo, é que Mindinho, que já estava ocupando um espaço desnecessário há muito tempo, e despediu-se da série. Méritos devem ser dados para a atuação de Aidan Gillen, que conseguiu conferir um tom de humanidade nos instantes finais do vilão que iniciou a Guerra dos Cinco Reis e encontrou um patético e merecido final pelas mãos das filhas do casal que ele tanto prejudicou.

Também tivemos uma segunda confirmação de que Jon é filho de Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark, numa cena muito bem montada que conseguiu seu intuito de causar estranhamento no espectador ao intercalar a revelação com o encontro de Jon e Daenerys (por mais mal desenvolvido que toda a trama do casal tenha sido, há de se admitir que o tema musical composto por Ramin Djawadi é lindo). 

Resta esperar para saber quais serão as repercussões da revelação; como isso irá interferir na questão envolvendo a sucessão ao trono e a dinâmica amorosa entre Daenerys e Jon, respectivamente, tia e sobrinho. É um material delicado que precisa ser trabalhado com cuidado pelos roteiristas para não parecer novelesco demais.

Arya Stark

Já a última cena da temporada trouxe mais um show de efeitos visuais e o Rei da Noite finalmente derrubou a Muralha com o seu novo Dragão de Gelo e a atravessou com o exército dos Mortos. Isso abre uma pergunta óbvia: como exatamente o Rei da Noite planejava atravessar a Muralha sem o dragão? Teria ele o mesmo dom de prever o futuro, como Bran?

Dito isso, apesar dos seus altos (grandes cenas de ação, ótimos diálogos) e baixos (teletransportes forçados, conveniências absurdas), essa foi mais uma temporada bastante eficiente de Game of Thrones. É possível que a série somente retorne com a sua temporada final em 2019. Se isso se confirmar, será uma longa espera.

Veja as melhores cenas deste episódio aqui

Por Alan Verissimo, do Ligado em Série
Tube News
Postar um comentário