MITOS DA TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL COM TESTOSTERONA - Tube News

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11 julho 2017

MITOS DA TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL COM TESTOSTERONA

Médico explica como funciona, para quê, por que e quem deve fazer a reposição, que precisa sempre ser indicada por um médico após uma série de exames




Em comemoração ao Dia Nacional do Homem, que acontece no dia 15 deste mês, trago um assunto importante e de interesse público: a . É um fato indiscutível que o uso de produtos e prescrições com testosterona cresceram substancialmente na última década. 

Esse aumento gerou a preocupação na comunidade médica de que medicamentos com testosterona estariam sendo utilizados indevidamente por indivíduos sem deficiência hormonal comprovada, o que infelizmente acontece.

Em contraste, o Food and Drug Administration (FDA), órgão governamental dos EUA responsável pelo controle dos medicamentos, mostrou que menos de 5% dos homens com diagnóstico de hipogonadismo ou deficiencia androgênica relacionada ao envelhecimento (DAEM) estariam sendo tratados. 


Ou seja, houve um aumento no uso indevido da testosterona, mas, ao mesmo tempo, indivíduos deficientes que realmente poderiam se beneficiar da reposição acabaram por não realizá-la ou não recebê-la. Mas por que isso está acontecendo?

Qual a prevalência da deficiência de testosterona?

A deficiência de testosterona é comum nos homens chegando a 20% dos com mais de 50 anos, com uma incidência de 12 novos casos a cada 1000 indivíduos a cada ano. Alguns estão mais sujeitos ao desenvolvimento da deficiência de testosterona como homens com síndrome metabólica, diabetes 2 e obesos.


Quais as funções da testosterona no nosso organismo?
A testosterona é um hormônio sexual responsável por estimular produção de espermatozóides, favorece a densidade óssea, atua na distribuição de gordura, aumenta força e massa muscular, estimula os pelos faciais e corporais, estimula a produção dos glóbulos vermelhos e aumenta a libido.

Quais são os sintomas da deficiência de testosterona?

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia a Metabologia (SBEM) os sintomas da deficiência de testosterona incluem: o declínio do interesse sexual; dificuldade de ereção; falta de concentração e capacidade intelectual; perda de pelos; ganho de peso à custa de gordura; diminuição de massa e força muscular; irritabilidade e insônia; entre outros. Os sintomas não são específicos e podem ocorrer em outras condições, que não a deficiência de testosterona.

Como é feita a reposição com testosterona?

A reposição com testosterona deve ser feita apenas com indicação médica em casos de sintomas e deficiência laboratorial comprovada de testosterona (deve-se realizar mais de uma dosagem no sangue para confirmar o diagnóstico). Ela é comummente realizada na forma em gel transdérmico, apesar da administração via injetável ser também utilizada.

Qual o objetivo da reposição com testosterona?

O objetivo da reposição de testosterona é aliviar os sinais e sintomas do hipogonadismo com melhora da função e desejo sexual, aumento da disposição, sensação de bem-estar, aumento da vitalidade, aumento da massa muscular, diminuição da cintura abdominal, diminuição da gordura corporal, aumento da densidade mineral óssea.

Reposição de testosterona traz benefícios para a composição corporal?
A testosterona não é apenas importante na regulação da função reprodutiva, mas também é um determinante importante da composição corporal nos homens. Apesar de não ser uma indicação para a terapia de reposição ensaios clínicos randomizados mostram que o tratamento com testosterona é capaz de reduzir a massa gorda e aumentar a massa magra. 


Em estudos observacionais, o tratamento de testosterona a longo prazo também foi associado a uma redução no peso corporal. Os mecanismos pelos quais a testosterona promove a perda de gordura podem incluir efeitos sobre a diferenciação e função de adipócitos (células que acumulam gordura). Recentemente o estudo randomizado de Fui et al publicado no Jornal of the Endocrine Society sugeriu que a testosterona pode inibir diretamente a produção de leptina no tecido adiposo. Isto é consistente com os relatos de que o tratamento com testosterona suprime o RNA mensageiro da leptina e a secreção de leptina do tecido adiposo humano.

Quais as contraindicações e riscos para a terapia com testosterona?
As principais contraindicações da reposição são o câncer de mama ou de próstata ativos. Em alguns casos a terapia deve ser evitada como, por exemplo, em portadores de apneia do sono grave (um transtorno do sono potencialmente grave) e na insuficiência cardíaca congestiva descompansada. 


A terapia também tem seus riscos, principalmente quando realizadas sem indicação médica ou para fins estéticos como: infertilidade, ginecomastia (aumento dos seios), aumento do hematócrito (aumenta o risco de formação de coágulos sanguíneo e embolia pulmonar). 

Esses riscos são potencializados quando indivíduos utilizam de forma indevida altas dosagens de testosterona e esteróides anabolizantes para ganho de massa muscular, o que é infelizmente cada vez mais comum em nosso meio.

Eu devo falar com o meu médico sobre a terapia com testosterona?

Se você quer saber mais sobre a terapia com testosterona, converse com seu médico endocrinologista. Ele irá lhe informar sobre os riscos e os benefícios. Será necessário uma consulta médica, exame físico completo e uma avaliação dos seus níveis de testosterona pelo menos duas vezes antes de discutir se a terapia de testosterona é uma opção para você. Seu médico também deverá sugerir, se for o caso, maneiras naturais de aumentar a testosterona, como perder peso e aumentar a massa muscular através do exercício físico de resistência.


Referências:
1) Mark Ng Tang Fui, Rudolf Hoermann, Mathis Grossmann; Effect of Testosterone Treatment on Adipokines and Gut Hormones in Obese Men on a Hypocaloric Diet. J. Endocr. Soc. 2017; 1 (4): 302-312. doi: 10.1210/js.2017-00062

2) Fundamental Concepts Regarding Testosterone Deficiency and Treatment: International Expert Consensus Resolutions Abraham Morgentaler, MD; Michael Zitzmann, MD. Mayo Clin Proc. n July 2016;91(7):881-896 n http://dx.doi.org/10.1016/j.mayocp.2016.04.007

3) Thomas G et al. Harmonized Reference Ranges for Circulating Testosterone Levels in Men of Four Cohort Studies in the United States and Europe. J Clin Endocrinol Metab (2017) 102 (4): 1161-1173.

Por Guilherme Renke, Rio de Janeiro
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