CRÍTICA GAME OF THRONES 7X03: THE QUEEN'S JUSTICE - Tube News

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31 julho 2017

CRÍTICA GAME OF THRONES 7X03: THE QUEEN'S JUSTICE

Mais uma vez provando que os showrunnersnão estavam mentindo quando afirmaram que Game of Thrones adotaria um ritmo mais urgente na sua reta final, esse terceiro capítulo da sétima temporada já se iniciou quebrando as expectativas. 


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Se outras séries cogitariam em guardar a sua cena mais esperada pelo público para o clímax do episódio, David Benioff e D.B. Weiss optaram por já mostrar o tão esperado encontro entre Jon Snow e Daenerys Targaryen logo no início. A reunião dos dois personagens mais importantes da trama (e também os únicos Targaryens vivos) foi um momento esperado pelos fãs da séries há seis anos (e pelos fãs dos livros desde 1996), e não decepcionou.

“The Queen’s Justice”, episódio escrito por D&D e dirigido por Mark Mylod, foi um episódio que se preocupou mais no diálogos do que na ação, o que acaba sendo uma decisão acertada, considerando o quanto a trama avançou. Os primeiros 20 minutos foram gastos no encontro entre o Rei do Norte e a Mãe dos Dragões, o que acabou não sendo tão amigável quanto os fãs esperavam. Além de todo o histórico envolvendo os seus pais, era óbvio que Daenerys não acreditaria na história de Jon sobre os White Walkers, assim como Jon não aceitará ajoelhar-se e entregar sua coroa para Daenerys, sabendo que 1) isso pode prejudicar sua reputação com os mesmos lordes nortenhos que o elegeram rei e 2) ser forçado a ajudar Daenerys na sua campanha contra Cersei seria um desperdício gigantesco e infeliz de tempo, vidas e recursos que beneficiariam apenas ao Rei da Noite.


É realmente uma sorte para ambos que tanto Tyrion quanto Davos se encontrem ali para cumprirem suas funções de mediadores – com belo destaque para Tyrion e Jon lembrando-se de quando conheceram na primeira temporada, em uma época distante na qual Snow era ainda mais ingênuo do que já é e o Lannister muito mais cínico e sem um grande propósito na vida. É estranho como Jon parece determinado a não revelar para ninguém sobre sua morte e ressurreição, considerando que essa é a única desculpa que ele teria para justificar sua deserção da Patrulha da Noite e ascensão no Norte.

Muito mais preocupante é o aconteceu em Porto Real. O ator Pilou Asbaek parece estar realmente disposto a fazer de tudo para devorar o cenário nas suas cenas, e por enquanto, está fazendo isso muito bem: Euron Greyjoy está se revelando tão cruel quanto Joffrey ou Ramsay, mas muito mais carismático. Enquanto isso, Lena Headey continua provando ser uma das melhores atrizes do elenco, destilando veneno, ódio e um prazer sádico a cada sílaba na cena em que humilha e pune as Sand.



Embora o núcleo de Dorne tenha sido um desastre e ninguém sentirá falta, ao menos Indira Varma e Rosabell Laurenti Selles se saíram bem em retratar o pavor ao constatarem o que Cersei estava planejando para as persomagens. Mesmo o fato da Rainha de Westeros já nem se importar mais em esconder o relacionamento incestuoso com o irmão demonstra o quanto ela está desequilibrada. E por falar em Jaime, este continua sendo uma decepção: todo o aprendizado do personagem para se afastar da influência tóxica da irmã foi jogado no lixo nas duas últimas temporadas e o problema agora ficou mais evidente.

Já em Winterfell Bran está de volta à sua casa, mas o reencontro com a irmã não foi nem de longe tão emocionante quanto o reencontro de Jon e Sansa na temporada passada, e isso com certeza foi intencionale. Bran agora é o Corvo de Três Olhos, uma pessoa fria e sem emoções, que parece ter se esquecido de como se deve comportar com os demais seres humanos. Isso fica claro não só no fato dele não esboçar qualquer tipo de reação durante o seu retorno, como também no momento em que ele cita os eventos da noite em que Sansa foi violentada por Ramsay como se fosse algo de menor importância, chegando até a destacar como ela estava bonita na cerimônia de casamento. Não é a toa que Sansa fica justificadamente perturbada.

Isso nos leva ao clímax do episódio, no qual o ambicioso plano de Tyrion para tomar Rochedo Casterly e causar uma forte derrota moral nos irmãos acabou fracassando de uma maneira desastrosa. Por um lado, deve-se reconhecer que não seria muito empolgante, do ponto de vista dramático, se Daenerys vencesse todas as batalhas contra seus inimigos e conquistasse Westeros com facilidade no início da temporada.



Por outro, as derrotas humilhantes que ela está sofrendo em apenas três episódios já estão perigosamente correndo o risco de trazer algum tipo de reviravolta mal planejada pelo roteiro. Primeiro, porque emburrece Tyrion, que até então era um gênio político e estratégico, algo que seus irmãos nunca demonstraram ser (ao menos, não no nível dele). Além disso, essa série de vitórias consecutivas é muito repentina, considerando que os episódios anteriores tinham estabelecido o quanto os Lannisters precisavam desesperadamente de aliados e recursos (e é melhor nem comentar a questão da frota de Euron, que viaja na velocidade da luz).

Ao menos, acabamos tendo a chance de ver bons momentos de ação nas sequências de Rochedo Casterly e Jardim de Cima, e Olena Tyrell se despediu dignamente como se podia esperar da personagem. É uma pena saber que não escutaremos mais as alfinetadas sarcásticas e sinceras da matriarca vivida por Diana Rigg, mas Game of Thrones parece disposta a se livrar de todos os núcleos que já não são mais essenciais para a trama. Também foi acertada a decisão de não mostrar a personagem morrendo na tela: seu último ataque verbal contra Jaime, confessando o assassinato de Joffrey, foi um momento catártico e apoteótico para encerrar o episódio da maneira certa.

Resta agora saber como Daenerys irá reagir a esse novo golpe na sua campanha, agora que só tem os seus três filhos e cavaleiros Dothraki. Considerando que o último conselho de Olenna foi o de “tornar-se um dragão”, receio que a resposta não será boa para ninguém. Em contrapartida, com o fim dos Greyjoys, Martells e Tyrells, isso poderia deixar a Mãe dos Dragões a considerar melhor as propostas de Snow.



O episódio ainda encontrou tempo para interações interessantes: vimos Melisandre se despedindo temporariamente de Westeros, mas prometendo não só retornar como até mesmo morrer nessa terra estrangeira, assim como Varys Também vimos Theon ser resgatado e, ao que tudo indica, continuar a cumprir sua função como o saco de pancadas da história, considerando a maneira fria como foi recebido pelos seus próprios soldados. Também tivemos o retorno de Mark Gatiss (Sherlock) como Tycho Nestoris, o representante do Banco de Ferro, numa trama que parecia ter sido esquecida desde a quinta temporada e que finalmente foi resgatada pelo roteiro. Tenho minhas duvidas se o Banco continuará apoiando os Lannisters, mesmo com todas as promessas de Cersei.

Na Cidadela, a situação de Jorah não só se encerrou de uma maneira anti-climática (era “só” esfolar a pele contaminada e passar um unguento?) como não disse a que veio. Caso os personagem se reencontrem no futuro, tomara que Sam entregue a sua espada de aço valiriano para o sobrevivente da doença.

Tirando os prós e contras, The Queen’s Justice foi mais um ótimo episódio e com um ritmo mais apressado, que ainda encontra tempo para vários personagens. A guerra está avançando e um ponto sem volta está próximo.

Por Allan Verissimo, do Ligado Em Série
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