CRÍTICA GAME OF THRONES 7x02: STORMBORN - Tube News

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24 julho 2017

CRÍTICA GAME OF THRONES 7x02: STORMBORN

Quando os showrunners David Benioff e D.B. Weiss afirmaram que a sétima temporada teria um ritmo muito mais apressado do que as temporadas anteriores, eles não estavam brincando. 

Combinação de cenas do segundo episódio da sétima temporada de Game of Thrones. Da esquerda para a direita: Jon Snow, Daenerys Targaryen, Sansa Stark (Foto: Reprodução/HBO)


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Se o ótimo primeiro episódio ainda tinha alguns sinais da velha Game of Thrones que conhecemos, gastando um bom tempo para recapitular a situação dos personagens, esse 7×02 demonstrou muito mais urgência, correndo com eventos que em outras ocasiões teriam demorado metade de uma temporada para acontecer e encerrando com uma incrível e inesperada cena de batalha.

Escrito por Bryan Cogman e dirigido por Mark Mylod, “Stormborn” (“Nascida da Tormenta”) gasta boa parte do seu tempo com Daenerys e seus aliados colocando seus planos para conquistar Westeros em prática. 


Após confrontar Varys por suas ações discutíveis no passado (por que ela esperou a viagem inteira pelo Mar Estreito para fazer isso?) e ter um encontro com Melisandre, na qual finalmente descobre a existência de Jon Snow, Daenerys demonstra para seus aliados (mulheres, eunucos e um anão) que não está disposta a ser a “rainha das cinzas” e conquistar tudo pela brutalidade, como seu pai fazia. 

Mas apesar de atender ao plano idealista de Tyrion e Varys (mais sobre isso adiante), Daenerys parece ter um choque de realidade quando escuta o conselho de Olenna Tyrell: por mais que ela negue a sua identidade, Daenerys sempre será a Mãe dos Dragões, uma conquistadora que evocará Fogo e Sangue para conseguir o que quer. Como é bom ver tantos personagens de núcleos diferentes finalmente interagindo, de uma maneira que não soa forçada.

Mas a cruzada de Daenerys não será fácil: Cersei tem o apoio dos lordes de Westeros com argumentos xenofóbicos contra os soldados da Nascida da Tormenta (num triste paralelo com o mundo atual), ao passo que Jon recebe a mensagem de Tyrion e Sam, respectivamente, sobre a chegada de Daenerys e a existência da obsidiana em Pedra do Dragão (como Davos não sabia disso após conviver com Stannis na ilha por tantos anos?). 


O encontro dos líderes é um evento esperado pelos fãs da série há anos (e pelos fãs dos livros há duas décadas), e é bom antever que isso ocorrerá de uma maneira lógica. Como será a interação dos dois, considerando o passado trágico envolvendo seus pais, já não me atrevo a adivinhar (e devo alfinetar Jon por cometer a imprudência de deixar a irmã sozinha com Mindinho em Winterfell, sabendo que ele pode traí-los na primeira chance que tiver).

Enquanto isso na Cidadela, Sam ainda não descobriu novas informações para derrotar os Outros, mas por outro lado, finalmente descobriu a identidade do hóspede infectado. O encontro dele com Jorah é um belo momento quando o primeiro relata ter conhecido seu pai e estar disposto a ajudá-lo como agradecimento. Por outro lado, lamento que os roteiristas tenham cortado um belo momento dos livros, quando Jeor Mormont, antes de morrer, pede a Sam para procurar Jorah no futuro, dizendo que o perdoa e que cumpra seu último desejo: se unir à Patrulha da Noite.




Já nas Terras Fluviais, vemos Arya Stark abandonando temporariamente (ou seria para sempre?) sua cruzada de vingança contra Cersei ao descobrir que Jon reconquistou Winterfell e tornou-se Rei no Norte e isso acaba levando-a à um encontro muito esperado pelos fãs. 

Arya reenconatr Nymeria, a loba que abandonou ainda no início da série devido às ações dos Lannisters. Foi uma belíssima cena, que mostra o quanto a personagem mudou após sete temporadas de tragédias e desgraças. Não é a toa que Nymeria decidiu não partir com ela: a essa altura, nenhuma das duas é mais quem era no início da trama, e agora são verdadeiras estranhas (e sim, os produtores confirmaram que era Nymeria).

Uma reunião muito menos esperada e bem-vinda (tanto pelos espectadores quanto pelos personagens) foi a da família Greyjoy: tendo surgido repentinamente da mesma maneira como o massacre de Hardhome, a sequência da batalha marítima foi excelente, apesar da sua curta duração e de alguns furos lógica (como Euron sabia exatamente qual seria o trajeto dos Greyjoys?). 


O confronto foi bem utilizado pelo diretor Mark Mylod para ilustrar o caos da situação. As Serpentes de Areia morreram tão pateticamente quanto viveram na série, ao passo que Pilou Asbaek está cada vez mais confortável e assustador com seu Euron Greyjoy (mesmo que reconheça ser diferente do Euron sombrio dos livros). Muitos criticam a suposta “covardia” de Theon ao abandonar sua irmã, mas eu não poderia discordar mais: caso tenham esquecido, Theon permaneceu três temporadas sendo torturado fisicamente e psicologicamente por Ramsay. 

Veja a cena abaixo:


O fato dele finalmente ter fugido de Winterfell e ajudado a salvar Sansa no processo não significa que o seu lado Fedor morreu definitivamente. Ele ainda carregará as cicatrizes físicas e espirituais do ocorrido, mas não há motivo para reprovar o personagem por ele ter tido uma recaída (ainda mais considerando que não havia chance alguma de Theon resgatar a irmã, mesmo se quisesse).




É uma derrota terrível para a campanha de Daenerys, e questiono como isso interferirá na confiança que ela tem em Tyrion, considerando que o seu conselho fracassou. Isso pode deixá-la ainda mais inclinada a ignorá-lo e seguir o conselho de Olenna para usar a violência e força bruta contra seus inimigos. Não parece ser um desfecho otimista típico de fantasias, mas Game of Thronesnunca foi de seguir os clichês do gênero.

A temporada segue com mais um belo episódio. Uma pena que faltam apenas cinco para o fim deste penúltimo ano da série.


Por Allan Verissimo, do site Ligado Em Série
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