ARTISTA DE 15 ANOS É CONVIDADO Á EXPOR OBRA DE ARTE EM PARIS - Tube News

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25 julho 2017

ARTISTA DE 15 ANOS É CONVIDADO Á EXPOR OBRA DE ARTE EM PARIS

Adolescente deve ter trabalho sobre homofobia à mostra na galeria Carrossel do Louvre entre os dias 20 e 22 de outubro deste ano.

Hecto Ângelo, de 15 anos, foi convidado para expor obra de arte em Paris (Foto: Vanessa Martins)

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Estudante, escritor e artista plástico goiano Hector Ângelo Melo Briet, de 15 anos, recebeu um convite para expor um dos seus desenhos em Paris, entre os dias 20 e 22 de outubro deste ano. Após publicar seus trabalhos nas redes sociais, ele recebeu um e-mail de um curador chamando-o para expor sua obra “Eu sou os gays que sofrem homofobia” no Carrossel do Louvre, uma galeria que dá acesso ao Museu do Louvre.

A peça faz parte de uma série de desenhos chamada “Eu sou a dor” em que o adolescente abordou as várias formas de preconceito, entre eles, o racial, a homofobia, gordofobia, entre outros. A obra que aborda as dificuldades enfrentadas pela comunidade de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBTT) foi a escolhida por curadores para ser exposta em Paris.

Hector revela que a peça é a sua preferida da série. “Eu queria passar uma mensagem. Eu acho que esse é o mais interessante por causa do sangue que vai formando a bandeira LGBTT. Achei mais marcante, porque as pessoas estão chorando e eu queria, de alguma forma, representar a tristeza e o orgulho. Muitos transexuais, gays, lésbicas, acabam morrendo por causa da ignorância de outras pessoas"

"Aqui [no quadro], mesmo ele morrendo, sente orgulho de ser quem ele é”, explicou em entrevista.

O goiano destaca que o tema veio a ele de maneira natural, já que ele considera importante abordar os diversos tipos de preconceito. “Acho que discutir a diversidade é muito importante porque somos todos diferentes. Acho que a arte está aí para isso, para mostrar que o diferente é legal, é interessante”, afirmou.

O artista contou ainda que mal acreditou quando recebeu o convite do curador Heinz Playner para expor seu trabalho no exterior. Segundo Hector, eles se conheceram pelas redes sociais e, sem que esperasse, recebeu uma mensagem com o convite.

“Eu fiquei até um pouco sem acreditar. Mandei uma mensagem para ele para ver se era verdade mesmo. Ele é curador e me disse que sou o segundo brasileiro a participar dessa exposição. Fiquei muito feliz, muito contente. Não pensei que isso iria acontecer, nem mesmo nos meus maiores sonhos. É muito gratificante receber esse convite”, contou, animado.

O curador comentou que escolheu o trabalho do adolescente goiano por acreditar que as obras dele são acessíveis, além de inspirarem discussões sobre assuntos importantes.

“Eu achei a arte do Hector, e o próprio Hector, muito interessantes. Tem uma arte diferente, mas também provocativa e que se destaca. Ele conversa com todos nós do jeito próprio dele: de maneira filosófica e aberta, apesar da pouca idade”, esclareceu.

Ainda conforme Playner, o tema da obra de Hector também chamou muita atenção. Segundo ele, a mensagem do artista goiano é de mais tolerância e gera reflexão sobre a diversidade, assuntos que o próprio curador considera importantes e que deveriam ser mais explorados pelas artes plásticas.


Obra "Eu sou os gays que sofrem homofobia" vai ser exposta em Paris (Foto: Vanessa Martins)


“Achei muito bom ver que o Hector, de forma muito provocativa e aberta, chamou a nossa atenção para a forma como nos vemos em sociedade. É muito importantes que saibamos falar através da arte e ele faz isso muito bem. Acredito que o estilo dele fará muitas pessoas pensarem”, destacou.

Outros trabalhos
Além da série de desenhos sobre preconceito, Hector já assinou outras exposições. A mais recente também aborda a homossexualidade e se chama “Orgulho em aquarela”. Convidado para expor no Clube de Costura, dentro do Mega Moda Shopping, ele criou seis desenhos, cada um representando uma das cores da bandeira LGBTT.

Peças da exposição 'Orgulho em aquarela' feitas nas cores da bandeira LGBTT (Foto: Vanessa Martins)


O dono do Clube de Costura, Leandro Pires, de 38 anos, conta que convidou Hector para criar a exposição especialmente para comemorar o Dia do Orgulho Gay.

“Eu acho fantástico o olhar dele. É contemporâneo, tem um trabalho que consegue comunicar com todas as frentes sociais. Quando a gente fala de arte parece, na nossa cultura, ainda muito distante das grandes massas, muito elitizada, mas vejo que o trabalho dele é muito inclusivo. As pessoas se sentem pertencentes”, avaliou.

Trajetória
A primeira fã e parceira do adolescente na carreira artística foi a publicitária Isadora Soares de Melo, de 41 anos, mãe do artista. Ela recorda como o filho começou a despertar o interesse pelas artes.

“Desde criança os principais brinquedos dele eram lápis e papel. Quando aprendeu a escrever, ele decidiu que queria escrever um livro. Aos 7 anos, ele fez um livro em casa, com ilustrações e uma história coesa. Eu fiz algumas copias para os parentes, mas ele disse que não era aquilo que ele queria, que ele queria realmente publicar o livro. Fomos atrás e conseguimos”, contou.

Hector Ângelo conta com apoio da mãe, Isadora Briet, para se manter na carreira artística (Foto: Vanessa Martins)


Desde então, Hector permeia os campos da escrita e das artes plásticas. Ele já publicou outros quatro livros e expôs suas obras em shoppings da capital. Mesmo com 15 anos, ele garante que já sabe que quer seguir o caminho das artes.

“Eu pretendo ser escritor, artista plástico e também quero trabalhar com animação, cinema e moda também”, comentou.

Por Vanessa Martins, G1
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