MULHER-MARAVILHA É O FILME QUE A HEROÍNA MERECIA - Tube News

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31 maio 2017

MULHER-MARAVILHA É O FILME QUE A HEROÍNA MERECIA

75 anos após a sua primeira aparição nos quadrinhos, a Mulher-Maravilha finalmente ganhou a adaptação cinematográfica que merecia. 


Contando uma história de origem não repetida como as de Batman, Superman, Homem–Aranha, etc., o filme cumpre muito bem o papel de apresentar formalmente a heroína e também situá-la na cronologia do atribulado universo cinematográfico da DC.

Felizmente, a diretora Patty Jenkins optou por dar a Diana Prince um caminho próprio, ao ambientar a maior parte do longa durante o final da 1ª Guerra Mundial. Com isso, a personagem vivida com uma energia surpreendente por Gal Gadot ganhou ainda mais força, especialmente pelo que ela representou para a cultura e para o empoderamento feminino ao longo de tantas décadas.

É interessante, também, como o design de produção decide representar Themyscira como um lugar colorido, claro e alegre justamente para reforçar a diferença com o mundo dos “homens” na primeira grande guerra. Assim, a “Zack Snyderização” sombria que é o tom deste universo desde Homem de Aço aqui é justificada graças a Europa cinzenta e esfumaçada debaixo das ruínas do confronto mundial.

Pelo contraste, aliás, é que o filme traz de forma orgânica e nada impositiva a mensagem que a Princesa das Amazonas veio ao mundo para passar: a necessária igualdade de gênero num mundo machista, patriarcal e que historicamente sempre subjugou a mulher. Isso fica evidente nas cenas em que a mera presença de Diana em uma sala cheia de homens é vista com incredulidade e repúdio pelas “autoridades” presentes, sendo esse um dos vários exemplos. Essa, infelizmente, é a parte não-ficcional de Mulher-Maravilha.


O longa também surpreende em termos de ação. Contando com coreografias incríveis e sequências de luta empolgantes e bem dosadas ao longo da projeção, ele consegue efetivamente colocar Diana Prince como uma heroína forte e ágil, capaz de realizar tudo o que se propõe sem soar artificial, mesmo quando a atriz é evidentemente trocada por uma versão digital, e sem jamais comprometer o resultado.

A narrativa bem-conduzida encontra tempo certo para o humor e romance, sem também sexualizar a relação entre a personagem-título e Steve Trevor (Chris Pine). Aliás, ciente de sua condição de coadjuvante neste longa, o ator se apresenta como o típico soldado idealista e progressista, mas que sabe a hora de deixar a verdadeira estrela brilhar. Com personalidade firme e bem-definida, Trevor é um ótimo complemento, assim como o peculiar time de recrutas da principal missão.

Mulher-Maravilha, porém, é apenas prejudicado pela falta de definição em torno de seu antagonista, culminando numa “reviravolta” tola no terceiro ato apenas para que se cumpra a lógica de todos os filmes de heroi – seja Marvel ou DC – já lançados, de se ter um grande confronto próximo do fim. Desnecessário, pois todo o filme trouxe Diana constantemente lutando contra uma ameaça muito maior que a do vilão da vez.

Ainda assim, este é o melhor longa da Warner/DC desde O Cavaleiro das Trevas e pode marcar o ponto de virada do estúdio neste universo.

Por Bruno Carvalho, Liga Em Série
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