A ESTONTEANTE AMERICAN GODS - Tube News

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31 maio 2017

A ESTONTEANTE AMERICAN GODS

Nem Damon Lindelof com a loucura de The Leftovers, nem Lana Wachowski com a excentricidade de Sense8 ou Noah Hawley com a psicodelia de Legion: Bryan Fuller detém, hoje, o posto de showrunner mais ousado da TV. 


(Foto: Divulgação/Amazon Prime Video)

Não que as séries citadas não se destacam no atual momento da chamada “Peak TV”, mas é que Fuller, desde Hannibal, mostra não se importar com absolutamente nenhuma convenção de nenhum gênero para trazer sempre algo único e inédito.

Isso ele consegue novamente com American Gods, série em exibição no Brasil pelo serviço de streaming Amazon Prime Video, que a traz com poucas horas de diferença de sua exibição original no Starz.

Na série baseada na obra de Neil Gaiman, Shadow Moon (Ricky Whittle, The 100) vaga pelos EUA após ser libertado da prisão sem saber que está no meio de uma briga lendária entre Deuses. De um lado, as divindades de outrora precisam recuperar a atenção de seus “fieis” enquanto os novos Deuses – como os da tecnologia, mídia e estradas – são vangloriados pelas multidões.

Essa, porém, é só a premissa da atração e isso jamais fica claro nos dois primeiros episódios, conduzidos com maestria pelo intrigante personagem Mr. Wednesday, do sempre talentoso e irrepreensível Ian McShane (Deadwood), que na verdade é a encarnação de Odin.

(Foto: Divulgação/Amazon Prime Video)

Visualmente estonteante, a série é uma enorme alegoria da obra de Gaiman, repleta de subtextos e comentários interessantíssimos do mundo moderno. Inacessível, é verdade, a produção é um brilhante estudo de personagens que não possui o menor pudor em ser explícita, direta e literal – até mesmo atirando pedaços de corpos para fora de sua razão de aspecto – apenas por puro estilo.

American Gods não é uma série fácil, mas não demora para emplacar quando percebemos que o roteiro está tratando de seres mitológicos num plano absolutamente árido e mundano. O resultado é uma adaptação que faz os clássicos personagens e inspirados diálogos de Gaiman saltarem das páginas com a propriedade que poucas adaptações televisivas de obras literárias fizeram.

Por Bruno Carvalho, Ligado Em Série
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