'QUERO SER UM GRANDE GERENTE', DIZ FUNCIONÁRIO COM DOWN EM SP - Tube News

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21 março 2017

'QUERO SER UM GRANDE GERENTE', DIZ FUNCIONÁRIO COM DOWN EM SP

Ernani Alvim de Jesus trabalha há 3 anos em rede de fast food. Moradores de Mogi contam histórias inspiradoras de pessoas com down.
Ernani Alvim de Jesus, de Mogi das Cruzes, trabalha há três anos em uma lanchonete de fast food e tem o sonho de ser gerente da loja (Foto: Jamile Santana)

Todos os dias, o morador de Mogi das Cruzes, Ernani Alvim de Jesus, de 38 anos, sai de casa pela manhã e caminha até o seu local de trabalho. Sozinho. E cada passo dado sozinho, significa muito para ele, que tem Síndrome de Down e consegue ser independente em vários aspectos.

A síndrome é causada pela presença de três cromossomos 21 em todas ou na maior parte das células de um indivíduo. Isso ocorre na hora da concepção de uma criança. As pessoas com síndrome de Down, ou trissomia do cromossomo 21, têm 47 cromossomos em suas células em vez de 46, como a maior parte da população. Nesta terça-feira (21), é celebrado o Dia Internacional da Síndrome de Down.

Há três anos, Ernani atua como atendente em uma das unidades de rede de fast food, ficando responsável pela recepção dos clientes e limpeza do saguão. Mas o sonho não para por ai. Ernani quer ser gerente, e se depender do seu carisma e desenvoltura, o sonho não está longe de se tornar realidade.

O salão da lanchonete - que abriga as mesas e o balcão onde são feitos os pedidos - é a área de domínio de Ernani. Nessa área ele é responsável por recepcionar os clientes que entram e saem da unidade, além de limpar as mesas, organizar as cadeiras e levar pedidos aos clientes. E ele não para. Quem vai até a unidade, em Brás Cubas pode testemunhar Ernani pulando de mesa em mesa para deixar tudo limpo e brilhando para o próximo cliente.

Ele está no cargo da rede franqueada há três anos. E a experiência com o trabalho é tanta que Ernani treina os funcionários mais novatos. "Explico pra elas como tem que fazer, e ser simpático com os clientes. Tem que conversar com eles, perguntar se está tudo bem", detalha.

E ele cativa. "Eu sempre venho comer aqui e encontro ele. Acho esse espaço que a empresa dá muito importante, porque as pessoas com deficiência são capazes de muitas coisas. Tudo é questão de ensinar e dar espaço. Minha esposa é professora, ela tem alunos especiais e sempre conta como se surpreende com essa experiência", contou o analista de logística Luiz Henriques, que chegou cumprimentando Ernani como velhos conhecidos.

A auxiliar de limpeza Cristiane Augusto de Oliveira, é vizinha e cliente de Ernani. "Ele mora no mesmo prédio que eu, a gente acompanha a história dele desde sempre e tenho orgulho de vê-lo aqui trabalhando. Eu uso como exemplo pra minha filha de que as pessoas são capazes, que não devemos subestimar a força de alguém", disse a mãe da Heloísa, de 6 anos.

Ernani Alvim de Jesus é atendente em uma rede de fast food há três anos em Mogi das Cruzes. As vizinhas Cristiane e Heloísa sentem orgulho (Foto: Jamile Santana)
A gerência da loja conta que como Ernani tem dificuldade com letras e números, desenvolve serviços físicos com mais facilidade. Ainda segundo a gerência, Ernani é um funcionário exemplar: nunca chegou atrasado e nunca precisou ser chamado atenção por ter se esquecido de algo.

E esse desempenho só foi possível, porque Ernani passou por atendimento na Apae de Mogi das Cruzes, onde aprendeu coisas básicas do dia a dia, como amarrar o tênis, se vestir sozinho, escovar os dentes, pentear os cabelos, pegar ônibus, coordenação motora. "Parece pouco, mas só de aprender essas funções que para nós são básicas, uma pessoa com Down consegue ter uma indendência e ter uma vida normal. Algumas conseguem até morar sozinhas, cuidar das próprias contas. Outras não, chegam até um limite. O que é importante destacar é que estimular essa pessoa desde cedo faz a diferença pra que ela se sinta segura de fazer as coisas que gosta de forma independente", explicou a diretora escolar da Apae de Mogi das Cruzes Ana Paula de Siqueira Nogaroto Kanaan.

"Eu aprendi a jogar bola, vôlei e isso me ajuda a limpar a mesa hoje, porque aprendi a movimentar os braços. Eu também sei pegar ônibus, mas gosto muito de trabalhar aqui porque é perto de casa", contou Ernani, mostrando que não abre mão da qualidade de vida. No mês de fevereiro, Ernani ganhou o prêmio de funcionário do mês.

Por Jamile Santana G1
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